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O saber não ocupa lugar >> Textos,
Opiniões e Comentários |
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Ranchos, Associativismo e
Poder Político (2) |
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Humberto Nelson Ferrão |
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(continuação)
3
- Enquanto isto, o Poder Político continua a considerar o sistema
cultural como uma forma de contribuir para a transformação e aperfeiçoamento
duma situação determinada, face ao seu passado, com uma influência,
cada vez maior, dos aspectos relacionados com o mercado. Desde há cerca
de 20 anos que é desta maneira (boa? má?) que tem sido entendido “o
facto cultural como mais significativo e relevante”. E esta tem sido a
referência em que assenta, normalmente, a filosofia da acção/intervenção
cultural do Poder Político governamental.
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Ou seja, a leitura que faço desta situação, pelo que tenho lido e
acompanhado, muito resumidamente, é que os decisores políticos (e técnicos?)
não consideram os ranchos folclóricos e os seus espectáculos como
agentes inovadores (transformadores??) do real, assentando então neste
pressuposto a sua concepção de cultura.
E os ranchos (e a FFP??), por sua vez, não souberam ainda perceber isto
(não há indicações!!) nem fizeram reflexões e acções concretas
que conduzam ao esclarecimento de todos os subentendidos em que uns e
outros se escudam.
Ora, se porventura o poder político poderá não estar sensibilizado
para esse esclarecimento, também os esforços dos folcloristas têm
sido quase nulos ou sem estratégia clara (e sem artifícios) que
conduzam, provoquem, essa imprescindível clarificação, até porque há
barreiras mútuas a desfazer.
É exigível, pois, uma agilidade e uma persistência que não tem
ocorrido, esquecendo-se os folcloristas que há relações de poder que
não devem ser esquecidas e que elas fazem parte das regras da “visão
do mundo” que a uns e a outros assiste. Tal como acontece com o
teatro, o cinema, o circo, a tourada, a dança, as filarmónicas... Por
seu lado, as entidades oficiais poderiam possivelmente incentivar mais o
esclarecimento e difusão das regras sobre os apoios a que os diversos
sectores associativo-culturais podem concorrer aos dinheiros públicos,
nomeadamente em órgãos de informação especializada, que mais
facilmente chegarão ao seu público-alvo...
4 - É claro que, nestas coisas de deveres de uns e de outros, há um
pressuposto que muitas vezes é esquecido e que se aplica à acção dos
ranchos: quem precisa tem que procurar alcançar o objectivo!! Ora, se há
regras que não estão de acordo com os interesses dos ranchos, porque
razão estes não treinam a sua capacidade conjunta de negociação para
alcançar o que pretendem, junto de quem os pode apoiar??? Se não forem
eles, quem o fará?? A Federação? As Associações Regionais? O Jornal
Folclore? Eu? Nós? As novas tecnologias? Como e quando????
Actualmente, tal como noutros sectores associativos, o apoio aos ranchos
folclóricos só aparecerá mais, na medida da sua maior capacidade de
renovação, de apresentar ideias e projectos novos e de exigir o
cumprimento de regras mútuas, junto da entidades locais ou nacionais,
levando-os a reconhecer as suas práticas e o seu interesse social. Senão...
é porque gostam daquilo que agora têm e isso basta-lhes!!! |
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