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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  Celebrações nacionais, eventos regionais:
a (re)construção do Ribatejo
(2)

Humberto Nelson Ferrão

Na região, a Exposição-Feira Distrital de Santarém (1936) - que Salazar inesperadamente visitou no último dia e que tinha sido inaugurada pelo Presidente da República – foi tida como um grande marco de visibilidade nacional e foi a grande mostra das capacidades e valores folclóricos do Distrito ou do Ribatejo, continuando este “dar a conhecer-se” no Grande Cortejo Folclórico, em Lisboa (1937); na Exposição-Feira do Cartaxo (1937); no Concurso da Aldeia mais Portuguesa, através da participação e seleção para uma fase final das freguesias do Pego (Abrantes) e da Azinhaga (Golegã) (1938)[1];

nas Comemorações dos Centenários da Fundação (1140) e da Restauração de Portugal (1640), com um momento alto na apresentação da Exposição do Mundo Português (1940); nas Festas do Barrete Verde e das Salinas (Alcochete - 1941); nas Festas do Colete Encarnado (V. F. de Xira - 1932); na Festa do Campino (Coruche – 1945); nas seculares Festas dos Tabuleiros (Tomar), Feiras de S. Martinho (Golegã) e de Todos-os-Santos (Cartaxo), para além de outras iniciativas que decorreram sem carácter de regularidade, em articulação com a Junta de Província do Ribatejo.

Curiosamente, dentre estas, em plena II Guerra Mundial, constata-se a realização da Exposição-Parada Agrícola-Pecuária de Santarém e da Parada Folclórica e Cortejo do Trabalho (1940), integradas nas Festas Provinciais do Ribatejo, que continuaram o “efeito de montra regional”, precedendo tematicamente a Expo-Feira de Pecuária (1946) e um outro grande momento de reflexão e envolvência dos líderes e pensadores desta zona nas diversas sessões do II Congresso Ribatejano (1947), organizado pela Casa do Ribatejo (1943, Lisboa), agora sob uma nova e legitimada condição administrativa, finalmente: a Província do Ribatejo (31/12/1936).

Sob a batuta da Junta de Província do Ribatejo, toda a década de 40 assistiu ao desenvolvimento de eventos, ainda que pontuais, mas que foram impondo uma “lógica da prática”[2] de delimitação e afirmação regional que se estendeu para a década seguinte com a Feira Franca - Exposição Industrial, Comercial e Agrícola (1950) e que a Feira do Ribatejo, por iniciativa da Câmara Municipal de Santarém, veio reforçar e legitimar, devido à sua institucionalização anual e ao seu redimensionamento, a partir de 1963 - com um âmbito nacional - posicionando-se, assim, como a charneira das Feiras portuguesas a nível Internacional: Feira do Ribatejo (1954) e Feira Nacional de Agricultura (a partir de 1964).

De facto, a Feira do Ribatejo sintetizou todo um conjunto de interesses e interessados regionais como expressão anual dos valores, capacidade organizativa e empreendedora do Ribatejo.

Assente inicialmente nos modelos experimentados pelas Exposições, Feiras e Paradas de 1926, 1936, 1940, 1946 e 1950, a sua Comissão Organizadora cedo percebeu a força que esta estrutura regional podia desempenhar aos mais variados níveis, como montra periódica do desenvolvimento e visibilidade regional, nacional e com alguns apoios internacionais.

A região tinha agora uma grande montra regular para mostrar parte das suas capacidades e características…

 

[1] Brito, J. Pais, “O Estado Novo e a Aldeia mais Portuguesa de Portugal”, in O Fascismo em Portugal - Actas do Colóquio - Março de 1980, Lisboa, Regra do Jogo, 1982, p. 511. Para além de esclarecido o processo de funcionamento deste Concurso, também lhe é feita uma crítica contundente em Barreiros, A. Souto, “Celestino Graça e o Povo”, in In Memoriam de Celestino Graça (1914-1975), Santarém, 1978 (à 7ª página do artigo).

[2]. Bourdieu, Pierre, O Poder Simbólico, 2ª ed., Difel, 1989, p. 111.

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