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Cultura popular
Antonieta Costa
Psicóloga Social
Aquilo a que se convencionou chamar “cultura popular” constitui na
realidade um repositório de saberes que revela nos seus conteúdos
conhecimentos sobre a relação directa do homem com a terra/cosmos, ou
seja, da Terra na sua viagem de translação à volta do Sol.
Desta “viagem” resultam as variações de temperatura que afectam a
produção agrícola, da qual depende a sobrevivência da humanidade. A
acumulação de conhecimentos sobre os
efeitos da luz solar (ou do Sol e
da Lua), nas explorações agrícolas resultou num conjunto de “receitas”,
conducentes à economia agrária. A ele foram sendo acrescentados efeitos
de ordem estética, não só através de uma expressão literária mais
rebuscada, mas também da utilização de outras artes como a música, a
dança, a dramatização e as chamadas “artes plásticas” (pintura e
escultura). Aos conhecimentos fulcrais para a sobrevivência da espécie
humana que veiculam, juntaram-se outros dois tipos de ensinamentos, um
destinado ao relacionamento com o homem e outra à espiritualidade,
formando entre si uma dinâmica instável no valor atribuído a cada um
destes componentes expressos através da “cultura popular”. As “receitas”
neles contidas revelam essa marca cósmica indelével na sua natureza
sazonal, cada estação do ano, da Primavera ao Inverno, personalizada de
modo específico. A cultura popular constitui-se assim como arquivo de
conhecimentos gerais, englobando visões do mundo, do homem e de Deus,
que foram predominantes durante milénios (...). Curiosamente, o espírito
que caracteriza as tradições expressas de várias formas pela cultura
popular distingue-se ao fim de cada período de três meses (ou cada
estação) daquele que o precedeu e do que vem em seguida.
Fixando-nos nessas diferenças podemos fazer ressaltar as visões do mundo
correspondentes a cada um destes períodos e trazê-las de novo à
consciência.
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