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O CICLO NATALÍCIO (2)

 Sérgio Fonseca

Dezembro de 2003

(...)     
Quase todo o mês era ocupado, nos tempos idos, em merendas e jantares. Nos sete dias que precediam o do Natal, havia nas colegiadas e mosteiros, as pitanças, servindo-se aos convidados, vinhos e frutas secas; mas, ano a ano, foi decaindo o costume até findar  de vez, pois segundo um cronista, “se juntava muita gente de desvariadas  maneiras, entre as quais eram pessoas, que depois de beberem diziam e faziam muitas enormidades  e alentavam arruados e contendas.
     

Depois da festa prosseguiam os beberetes  e comida, pretextando-as  certas funções de Igreja, terminadas sempre pela reunião dos membros das confrarias em repastos lautos. Até que, pelos Reis, cessavam as festas, as consoadas, as ofertas, estas ultimas ainda vestígios persistentes das strenas dos romanos, que o cristianismo tanto combateu sem conseguir impedi-las .

Na véspera do Natal, armam-se, nas casas e nas igrejas, as alpinas ou presépios, representando o nascimento de Jesus, sob o telhado miserável e com toda uma decoração pastoril, era diante deles que se apresentavam outrora colóquios, entremeses [2], vilancicos [3] ou se entoavam as loas de Natal.                

Em Lorvão as pessoas, no dia de Natal e durante todo o ciclo até aos Reis, levam para a missa as  fogaças ( tabuleiros ornamentados com doces natalícios carne de porco, morcela e linguiça, (da matança do porco) e ainda da produção das colheitas do verão anterior, feijão, milho, vinho e outros produtos  fruto da terra e do trabalho do homem eram assim ofertados ao Menino Jesus no presépio.

O fim da celebração termina com o beijar do Menino. O Senhor Padre debaixo do pálio bordado a ouro e prata, dá a beijar o menino a toda a assembleia, para se comemorar  mais uma  festa do seu nascimento.

No lado esquerdo  do altar – mor  fica um pequeno grupo de músicos, que vão tocando melodias desta quadra,  profanadas pelo tempo e pela história mas…que a tradição não apaga.

No final de todo o ritual, as fogaças e todas as ofertas, são leiloadas por alguém com voz forte e pujante, no adro da Igreja, e o dinheiro reverte para as obras do culto (igreja).

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[2] Pequena composição dramática, jocosa ou burlesca, farsa

[3] Composição poética formada de versos  de pequena medida e, às vezes, dialogados; música adaptada, e de carácter campesino.

 

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