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Câmara Municipal de Viana do Castelo editou recentemente o livro “Uma
imagem da Nação - Traje à Vianesa”, da autoria de António Medeiros,
Benjamim Pereira e João Alpuim Botelho. A cerimónia pública de
lançamento teve lugar no passado dia 18 de Maio, nas instalações
recentemente renovadas do Museu do Traje, a assinalar o Dia dos Museus e
integrado nas comemorações dos 750 anos da atribuição do Foral a Viana
do Castelo por D. Afonso III. |
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Pela sua extraordinária beleza e graciosidade dos seus bordados, por
tudo que ele representa em termos de criatividade artística e o trabalho
que lhe está subjacente, não apenas na sua confecção como ainda nos
processos de cultivo, o “traje à vianesa” constitui uma das
maiores preciosidades da nossa cultura tradicional e, seguramente, o
traje mais emblemático de todos quantos nos identificam como povo.
Considerado o mais belo traje tradicional do nosso país, o “traje à
vianesa” transmite a alegria e a vivacidade das nossas gentes, a
habilidade artística da mulher minhota, o seu apego à família e às lides
domésticas. Através do traje podemos traçar o seu perfil psicológico,
estudar os usos e costumes, analisar o contexto social, económico e
histórico em que se originou, compreender os comportamentos sociais, os
processos agrícolas, enfim, reconstituir a vida social de um povo em
todas as suas vertentes.
As
moças cuidam da confecção do seu traje como o mesmo desvelo e talento
que o ourives emprega na criação da filigrana ou o poeta no encadeamento
dos seus versos. Vários foram os escritores que lhe prestaram a maior
atenção e dedicaram o seu estudo, como sucedeu com Cláudio Basto cujo
livro, “Traje à Vianesa”, ainda constitui uma obra de referência
no domínio da etnografia. E, quando o envergam, a mulher minhota revela
uma atitude elegante e digna que faz realçar ainda mais a sua beleza
natural, salientando discretamente as suas formas graciosas e
deslumbrando pelo brilho e o esplendor dos seus adornos a sua figura
esbelta.
Disputam os folcloristas a origem do “traje à vianesa”, procuram
saber onde o mesmo era utilizado e as formas como se apresentava,
vasculham em velhas arcas carcomidas alguma peça de vestuário esquecida
para questionarem a sua antiguidade, questionam se o mesmo levava mais
linho ou estopa, qual o comprimento original da saia e como deveria
aparecer a algibeira sob o avental. São preocupações naturalmente
compreensíveis e até justificáveis do ponto de vista etnográfico, não
obstante por vezes se confundirem com uma espécie de bairrismo estéril.
Porém, apraz-nos registar o enorme interesse que rodeia o “traje à
vianesa”, não nos admirando, pois, a disputa que o mesmo suscita: Afinal
de contas, quando se trata de defendermos aquilo que é realmente nosso e
nos identifica, somos todos minhotos – somos todos vianenses! |