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Esta realidade coloca-nos algumas questões que merecem a reflexão
adequada numa perspectiva etnográfica e a procura de respostas que não
se condicionem aos dogmas estabelecidos no domínio do folclore. Antes de
mais, convém compreender que as gentes da Nazaré continuam a exibir no
seu quotidiano a forma de vestuário que herdaram dos seus ancestrais,
naturalmente com as adaptações ditadas pelas modas que sucederam ao
longo do tempo. Este fenómeno a que não é alheio certamente a propaganda
turística ocorrida em meados do século XX, não se reproduz na maior
parte das regiões do país onde os costumes tradicionais cederam à
padronização do vestuário e dos hábitos ditados por uma sociedade
industrial e consumista.
A Nazaré resistiu. E a preservação dos seus costumes típicos e da sua
gastronomia associados à beleza da sua paisagem tem constituído um
factor de desenvolvimento económico da região e conseguido assegurar
condições de vida dignas das suas gentes.
Tal como sucedia em todo o país e abrangia a mulher pertence a todas as
classes sociais, também a mulher nazarena nos finais do século XIX
vestia saias que a encobriam até aos pés. Acompanhando as modas e,
naturalmente, influenciada pelos novos costumes dos banhistas e com
algum sentido prático, foi aos poucos encurtando as saias e desvendando
o seu vestuário mais íntimo. A propaganda turística encetada durante o
Estado Novo viria a tornar emblemática as “sete saias” da Nazaré.
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