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»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub


A evolução do traje da mulher da Nazaré

 

Carlos Gomes(*)

“O traje nazareno feminino não parou no tempo, nem se tornou uma peça museológica; pelo contrário, tem acompanhado as variações da moda – saias mais curtas ou mais compridas; novos tecidos, cores e padrões. É um traje que renasce cada ano, tornando a nazarena única entre as demais. – Esta afirmação surge no site da Câmara Municipal da Nazaré, procurando retratar a evolução do traje típico das suas gentes.

Esta realidade coloca-nos algumas questões que merecem a reflexão adequada numa perspectiva etnográfica e a procura de respostas que não se condicionem aos dogmas estabelecidos no domínio do folclore. Antes de mais, convém compreender que as gentes da Nazaré continuam a exibir no seu quotidiano a forma de vestuário que herdaram dos seus ancestrais, naturalmente com as adaptações ditadas pelas modas que sucederam ao longo do tempo. Este fenómeno a que não é alheio certamente a propaganda turística ocorrida em meados do século XX, não se reproduz na maior parte das regiões do país onde os costumes tradicionais cederam à padronização do vestuário e dos hábitos ditados por uma sociedade industrial e consumista.

A Nazaré resistiu. E a preservação dos seus costumes típicos e da sua gastronomia associados à beleza da sua paisagem tem constituído um factor de desenvolvimento económico da região e conseguido assegurar condições de vida dignas das suas gentes.

Tal como sucedia em todo o país e abrangia a mulher pertence a todas as classes sociais, também a mulher nazarena nos finais do século XIX vestia saias que a encobriam até aos pés. Acompanhando as modas e, naturalmente, influenciada pelos novos costumes dos banhistas e com algum sentido prático, foi aos poucos encurtando as saias e desvendando o seu vestuário mais íntimo. A propaganda turística encetada durante o Estado Novo viria a tornar emblemática as “sete saias” da Nazaré.

(*) Jornalista, Licenciado em História


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