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(Continuação...)
Com o advento do Estado Novo, as designações
originais vão alterar-se e passar a adoptar novas denominações que ainda
subsistem. O novo regime procura integrar as “casas regionais” na sua
lógica corporativa, tentando em vão constituir o “Conselho Superior do
Regionalismo Português” e vedando-lhe ao mesmo tempo a designação de “grémios”.
A participação de figuras gradas ao regime e a ligação existente aos
governos civis e outras autoridades proporcionaram a estas associações um
determinado grau de importância que jamais viriam a beneficiar após o
derrube do regime em 1974. Esse período representou o auge e grandeza,
sobretudo das associações regionalistas de âmbito provincial.
Também em Angola e Moçambique surgiram as casas
regionais, procurando agrupar os portugueses oriundos das diversas regiões
da metrópole. Estas associações tiveram, naturalmente, o seu fim com a
descolonização daqueles territórios e o regresso daqueles que então foram
designados por retornados. No Brasil, Venezuela, Estados Unidos da América e
outros países, a formação de casas regionais reflecte naturalmente as
origens das principais comunidades que aí se fixaram mas são sobretudo
espaços de encontro e convívio de todos os nossos compatriotas e das
amizades que entretanto construíram nessas paragens distantes.
Entretanto, em Portugal vão surgindo algumas
associações de âmbito concelhio e de comarca cujo aparecimento, em regra,
não é bem visto pelas casas de província que, de forma mais ou menos
discreta, exercem pressões com vista a impedir a formação daquelas. Porém, a
influência exercida pelos respectivos municípios interessados no seu
aparecimento leva a que consigam obter os alvarás concedidos pelo Governo
Civil de Lisboa e à altura indispensáveis ao exercício da sua actividade.
Nos anos sessenta, o envio de muitos jovens para
o ultramar marca de certa forma o início do declínio das casas regionais. Na
sua ausência, a noiva ou a jovem comprometida ficava inibida de se divertir.
Também o aparecimento da televisão contribuiu para reduzir a frequência das
colectividades em geral, as quais se viam obrigadas a utilizar esse meio de
entretimento para atrair os associados.
A partir dos anos setenta, a maioria das “casas
regionais” definha. Algumas sobrevivem recorrendo a bailes e outras
formas de convívio de frequência duvidosa que acabam por prejudicar a sua
própria imagem. Outras restringem a sua actividade à realização de eventos
pantagruélicos a preços inacessíveis à bolsa de quem necessita de trabalhar
para sobreviver, procurando desse modo estabelecer uma frequência
seleccionada. A maior parte destas associações vai, contudo,
descaracterizar-se à medida que pauta a sua acção por actividades que pouco
ou nada têm a ver com o regionalismo, indo nalguns casos ao ponto de
entregar os seus destinos a estranhos às respectivas regiões que constituem
a sua referência. O seu declínio é imparável e algumas destas associações
encontram-se agora à beira da extinção.
Procurando colmatar situações de dificuldade
relativamente a instalações, a Câmara Municipal de Lisboa tem vindo a ceder
terrenos para a sua construção de sedes de diversas casas regionais, sob o
regime do “direito de superfície”, da mesma forma como tem feito com
outras entidades. Porém, nenhuma das referidas associações chega a assentar
um único tijolo, deixando decorrer os anos e com eles caducar o acordo que
estabelece um prazo para o início da construção. Não obstante muitas delas
possuírem meios financeiros resultantes nomeadamente de indemnizações
atribuídas em processos de despejo de anteriores instalações.
A não ser que as associações regionalistas
reencontrem a sua verdadeira razão de existir e saibam adaptar-se às novas
realidades sociais e culturais, iremos assistir ao inevitável declínio e
provável desaparecimento das “casas regionais”. À semelhança das
demais instituições criadas pelo Homem, também o associativismo regionalista
constitui um meio com vista à sua própria dignificação e não um fim em si
mesmo.
Bibliografia:
GOMES, Carlos. Regionalismo em Portugal.
Subsídios para a sua História. Casa do Concelho de Ponte de Lima. 1997.
Lisboa
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