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A origem do associativismo como forma de
participação cívica remonta à segunda metade do século dezanove e deve-se
sobretudo à influência exercida pelas ideias liberais e republicanas que,
dessa forma, procuravam intervir na sociedade e adquirir influência. De
resto, aliás, a própria Maçonaria incentivou a criação de numerosas
colectividades com as mais diversas finalidades, utilizando-as como
instituições “para-maçónicas”. A sua própria influência encontra-se
bem patente em práticas ainda em uso em muitas associações, como sucede,
nomeadamente, com a instituição do pagamento da jóia no acto de inscrição, a
obrigatoriedade da proposta de adesão ser apresentada por um sócio
proponente e até, nalguns casos, a exposição pública da ficha de adesão do
proposto.
O associativismo regionalista constitui uma
realidade relativamente mais recente e encontra-se intimamente associado ao
fenómeno das migrações, caracterizado pelo êxodo das populações sobretudo
dos meios rurais para os grandes centros urbanos, para o estrangeiro ou
ainda os antigos territórios ultramarinos.
O crescimento da actividade industrial e
comercial, a partir de meados do século XIX, exigiu um acréscimo de
mão-de-obra que foi recrutada nas zonas rurais do interior. Por outro lado,
a miséria e falta de ocupação nos campos atirava as suas gentes para a
emigração, formando autênticas levas que partiam então com destino sobretudo
ao Brasil. Acresce a isto a instabilidade política que leva ao derrube do
regime monárquico e a desordem política e crise económica sempre reinantes
durante o período de vigência da Primeira República.
A praga da filoxera destruiu os vinhedos nas
encostas do Douro e afugentou as suas gentes sem meios de sobrevivência.
Muitos minhotos rumaram a Lisboa procurando escapar a uma existência de
miséria. O mesmo fizeram os transmontanos, os beirões e, de uma modo geral,
todos aqueles que viviam nas regiões mais isoladas e pobres do interior e
ainda sentiam forças para mudar o rumo à sua vida.
Consoante as suas aptidões a que não eram
alheias as ocupações que detinham nas suas regiões de origem, os novos
citadinos entregavam-se aos mais diversos ofícios. Assim, de Arganil vieram
os leiteiros que são os actuais pasteleiros de Lisboa, de Tábua os padeiros,
de Ovar as peixeiras ovarinas e de Tomar os construtores civis que ficaram
conhecidos por “patos-bravos”. Os minhotos empregaram-se sobretudo na
hotelaria e restauração depois de reconverterem as velhas tabernas e
carvoarias que tomaram aos galegos enquanto os de Ílhavo continuaram a ser
os marítimos sempre embarcados e a percorrer o mundo. Para as famílias mais
carenciadas, o acesso à instrução era apenas possível através do ingresso
num Seminário da Igreja Católica, situação recorrente nomeadamente no
Minho
e em Trás-os-Montes.
De início, o tempo escasseia para aqueles a quem
o trabalho duro é a única forma de subsistência. Mas, aos poucos, alguns dos
que migraram vão singrando na vida e alcançando maiores possibilidades
económicas e estatuto social. Estão criadas, portanto, as condições
objectivas ao aparecimento do associativismo regionalista. Na maior parte
dos casos, as chamadas “casas regionais” aparecem sob a designação de
grémios: Grémio do Minho, Grémio do Alentejo.
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