[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub
 
»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub


Requiem pelo Museu de Arte Popular

 

Carlos Gomes(*)

A concepção museológica do Estado Novo

A formação de uma verdadeira consciência nacional e a elevação do espírito patriótico, a valorização do trabalho e da vida familiar, das virtudes religiosas e do modo de vida simples do povo, das suas tradições locais e a identidade regional constituíam preocupações do Estado Novo no que concerne à gestão do património cultural do país e, mormente, dos espaços museológicos.

Preconizando o Prof. António de Oliveira Salazar a “restauração material, restauração moral e restauração nacional”, o Estado Novo encetou um processo de recuperação e restauro de castelos, catedrais, conventos e outros edifícios de grande valor simbólico. Instituiu e promoveu uma série de celebrações patrióticas, entre as quais se salientam as comemorações da Fundação e da Restauração de Portugal, que culminaram com a Exposição do Mundo Português, a criação do Museu de Arte Popular e a requalificação da área de Belém com o Padrão das Descobertas, a fonte luminosa, os seus espaços ajardinados e motivos escultóricos. Para o Estado Novo, o museu passa a constituir um instrumento de doutrinação e veiculação ideológica, um tanto aliás à semelhança do que o anterior regime já fizera ao instituir o chamado “Museu da Revolução”.

Contudo, a política do Estado Novo vai mais longe e, a partir dos anos sessenta, reflectindo uma certa abertura para as realidades externas, o panorama museológico começa a registar algumas mudanças, privilegiando a exposição de peças de real valor histórico ou artístico, ordenadas de forma sistematizada e atraente, implementando meios de atrair os visitantes e exercer acção pedagógica nomeadamente através da edição de publicações e organização de visitas guiadas. Em regra e salvo poucas excepções, quase todos os museus foram instalados em edifícios já existentes, apenas adaptados para esse fim, revelando invariavelmente limitações de toda a ordem que vão desde a segurança das instalações e do espólio existente às condições ambientais, nem sempre as mais indicadas à preservação das peças expostas.

Esta situação contraria os mais modernos preceitos da museologia, mormente no que respeita aos critérios que devem presidir à construção e disposição do espaço museológico, às condições que possibilitem a valorização do espólio, proporcionem ao visitante o conforto que lhe permita apreciar nas melhores condições os objectos expostos, assegurem a sua longevidade e permita dispor de espaços de apoio nomeadamente à catalogação, acondicionamento, restauro e conservação das peças, bem assim como a utilização de novas tecnologias necessárias ao cumprimento da missão do museu que consiste na transmissão de conhecimentos.

Trata-se de uma realidade que parece bastante actual, considerando nomeadamente o aproveitamento que vai ser feito das antigas instalações do Museu de Arte Popular para a instalação do Museu da Língua Portuguesa.

Não obstante, embora timidamente, ainda antes de 1974 começam a surgir os primeiros museus em edifícios expressamente construídos com essa finalidade, como aliás se verifica com o Museu Calouste Gulbenkian. Também em 1965 se verifica o aparecimento da Associação Portuguesa de Museologia que se destina essencialmente a agrupar conservadores de museus, historiadores, restauradores e críticos de obras de arte, promovendo simultaneamente o conhecimento das mais modernas técnicas de museologia através de conferências e publicações. Com efeito, estas mutações prenunciam já o final de um ciclo que se vem a verificar naturalmente com a mudança de regime político, após o derrube do Estado Novo em 1974.

A não ser que o projectado “Museu da Língua Portuguesa” seja, na realidade, apenas uma galeria cultural e não propriamente um espaço museológico como a sua designação indica, surpreende-nos a ideia de governantes portugueses e brasileiros pretenderem colocar num museu uma língua viva com mais de duzentos milhões de falantes. Mas, sem pretender questionar tal opção, estamos plenamente convencidos de que o Museu de Arte Popular deveria conservar a sua unidade e permanecer no local para onde foi concebido, não apenas por razões históricas mas sobretudo por critérios de natureza estética e de definição do público destinatário.

O Museu de Arte Popular não constitui mais um museu regional de características etnográficas mas de um espaço, à semelhança do Museu das Artes e Tradições Populares, de Paris, entre muitos de outras capitais europeias, concebido para dar a conhecer aos portugueses em geral e a todos quantos nos visitam, os usos e costumes das nossas gentes, as suas raízes culturais e a sua verdadeira identidade. Tal como aqueles, deveria ter sido apetrechado com meios mais lúdicos, aproveitando as novas tecnologias e não, como agora sucedeu, limitar-se a ser extinto. Esperemos que o Museu de Etnologia conserve a sua unidade e o espírito para que foi criado ou seja, o de preservar a memória dos costumes do povo português.

 

(*) Jornalista, Licenciado em História


<<< Página anterior  +++ Ver fotos >>>


Textos de Carlos Gomes - Index>>>

Outros Textos e Opiniões >>>

Pub

 

Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster