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Moinhos de Maré: um Património a preservar
 

 

Carlos Gomes(*)

(Continuação...)

Tempos houve, porém, em que existiram moinhos de maré nos estuários de quase todos os rios portugueses. É, aliás, bastante provável que ainda alguns casos recuperáveis. Contudo, apenas se conhece as “Azenhas de D. Prior”, na foz do rio Lima, que não obstante a designação também constitui um moinho de maré. De resto. A edilidade vianense decidiu recuperá-lo e constitui actualmente um pólo museológico e de animação cultural aberto ao público.

Naturalmente, nem todos poderão ser recuperados para fins didácticos. Mas, os espaços de que geralmente dispõem, quer no interior como no exterior, associado à magnífica paisagem que deles se desfruta e ainda à possibilidade de aproveitarem as marés para o próprio consumo energético, poderiam possibilitar a sua utilização para fins turísticos, permitindo dessa forma a sua reabilitação e a valorização das regiões que ainda os possuem.

No caso do rio Lima, a utilização para fins culturais das “Azenhas de D. Prior” poderiam vir ainda a ser complementadas com a recuperação das marinhas de sal outrora ali existentes e, num plano mais vasto e integrado de aproveitamento cultural e turístico do rio Lima, incluir a recuperação dos antigos cais e ancoradouros, de Viana do Castelo a Ponte de Lima, sem esquecer a adaptação a metro de superfície da linha férrea do Vale do Lima cuja construção não chegou a ser concluída.

(*) Jornalista, Licenciado em História

Tal como nos espigueiros do Alto Minho e Galiza, a cruz a encimar o moinho de Corroios abençoa o pão. Em primeiro plano, a entrada das águas para a caldeira, à esquerda, local onde se encontra a adufa.

Esta peça serve para subir ou descer os rodízios sob as arcadas do moinho.


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