|
(Continuação...)
Por vezes, a experiência não
resultava e o retorno às origens constituía o recurso óbvio. Ou então
partiam para o Brasil onde todos os minhotos sempre têm um familiar que para
ali emigrou, não raras as vezes escondidos nos porões dos navios. Os que
foram ficando e construíram uma nova vida, chamavam a família, os
conterrâneos e os amigos, encaminhando-os invariavelmente para o mesmo ramo
de actividade em que se ocupavam, na maioria dos casos à testa de um balcão
de estabelecimento comercial.
Porém, as profissões que
exerciam também tinham em grande medida a ver com a sua experiência e
hábitos trazidos das suas terras. Assim, constatamos que, de Caminha e Viana
do Castelo vieram para Lisboa sobretudo pedreiros, estucadores e
carpinteiros, do Soajo e Ponte da Barca os padeiros, de Covas, Ponte de Lima
e Paredes de Coura os taberneiros e carvoeiros que transformaram as velhas e
típicas tabernas nos modernos restaurantes. De Amares e Terras de Bouro
saíram empregados de pensões e hotéis. De Melgaço, Monção e outras vilas do
litoral ingressaram muitos dos seus filhos na Marinha de Guerra enquanto de
Paredes de Coura e outras localidades do interior optaram pelas forças de
segurança. Em relação às mulheres, o trabalho de empregada doméstica, vulgo
de “sopeiras”, não era bem encarado entre as gentes minhotas pelo
que, a maioria apenas vinha para Lisboa após o casamento e com o marido já
estabelecido no negócio.
Contudo, não foi apenas
gente humilde e pobre, como por vezes se julga, que deixou a sua terra para
se instalar na capital. Embora em menor número, houve também arquitectos,
advogados, jornalistas, sacerdotes, militares de carreira e titulares de
outras profissões com estatuto social mais elevado que se fixaram em Lisboa,
ao lado daqueles que se submetiam a uma vida de escravidão para conseguirem
sobreviver em condições melhores do que aquelas que a terra lhes permitia.
Com a progressiva fixação
dos minhotos, vieram os filhos e os netos já nascidos na grande cidade,
beneficiando das condições de vida alcançadas pelos seus progenitores. Ao
contrário das gerações antigas, os mais jovens puderam ter acesso a níveis
superiores de instrução e ao usufruto de bens culturais que antes eram
inacessíveis. Possuem naturalmente diferentes hábitos e formas de estar na
sociedade, outros motivos de interesse e sobretudo uma mentalidade
substancialmente diferente adquirida em contacto com outras pessoas de
diversas origens culturais, num ambiente que é característico das grandes
metrópoles. Não obstante, sentem pela terra dos seus pais um carinho e uma
nostalgia como se lá tivessem nascido e permanecido durante a maior parte
das suas vidas. São minhotos, autênticos, não de origem mas de coração!
Bibliografia:
GOMES, Carlos. Regionalismo em Portugal. Subsídios para a sua História.
Casa do Concelho de Ponte de Lima. 1997. Lisboa
|