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Quem são e o que fazem os minhotos radicados em Lisboa?

 

Carlos Gomes(*)

A questão a saber quem são e o que fazem os minhotos e seus descendentes que residem em Lisboa e arredores revela-se de vital importância, uma vez que estes constituem a base social de apoio do movimento regionalista. Desde os primeiros surtos migratórios ocorridos sobretudo a partir dos começos do século vinte, os minhotos que vieram trabalhar para Lisboa eram sobretudo jovens que, sonhando um futuro mais risonho, procuraram escapar à miséria da lavoura e das aldeias, sujeitando-se aos trabalhos mais árduos quase sem tempo para descanso. Provinham, na sua maioria, dos concelhos predominantemente rurais e das localidades mais isoladas onde a fixação era difícil devido à escassez de emprego e às distâncias a percorrer para as vilas e outras áreas urbanas mais próximas.

A construção do caminho-de-ferro foi fundamental para a deslocação dessas massas de população que enchiam os comboios e desembarcavam no Rossio, em Campolide, no apeadeiro do Rêgo e finalmente em Santa Apolónia. A viagem de “correio” entre Lisboa e Viana do Castelo constituía uma jornada que chegava a ultrapassar meia jornada, com transbordo em Campanhã e prolongadas demoras em quase todas as estações e apeadeiros para serviço postal e carga e descarga de bagagens e outras mercadorias. Atreladas às velhas máquinas locomotivas, as composições eram invariavelmente formadas por carruagens de passageiros a que se juntavam vagões de mercadorias. Apenas a partir dos anos quarenta do século XX se tornou realidade a electrificação da linha do norte. Na linha do Minho, a circulação da automotora era feita em via única e controlada com o estalejar de foguetes estrategicamente colocados na via-férrea.

Chegados a Lisboa, os minhotos entregavam-se às mais diversas actividades, ocupando-se de início nas descargas de lenha e carvão que eram efectuadas nomeadamente nas estações ferroviárias de Alcântara, Poço do Bispo ou na fábrica do gás da Boavista, junto ao aterro de Santos. Aos poucos, foram tomando as tabernas e carvoarias dos galegos e a substituí-los nos fretes aos clientes. A esse tempo, amassavam “bolas” feitas de cisco de carvão que aproveitavam os resíduos e serviam para alimentar os fogareiros cuja utilização era, apesar de tudo, mais económica do que os fogareiros a petróleo. O gelo com que no verão se refrescavam as bebidas, iam buscá-lo ao frigorífico velho que funcionava na antiga doca de Santos e que actualmente serve de discoteca de diversão nocturna. A doca foi aterrada em meados dos anos setenta do século passado para se transformar em parque de estacionamento automóvel.

(*) Jornalista, Licenciado em História

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