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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  Os Maios e as Maias

Carlos Gomes (*)

Com a entrada do mês de Maio, enfeitam-se de giestas floridas as janelas das casas nas vilas e aldeias do Minho anunciando a chegada da Primavera em todo o seu esplendor e, com ela as flores que contribuem para alegrar a nossa existência, perfumar e dar colorido ao ambiente que nos rodeia. São as maias feitas de ramos de giestas com as suas flores amarelas as quais, por tradição, são colocadas nas portas e carros agrícolas, constituindo este costume uma forma de celebrar o renascimento da vida vegetal. No concelho de Caminha, em pleno Alto Minho, uma das localidades onde a festa é vivida com mais intensidade, as giestas floridas aparecem em todos os sítios, incluindo nos veículos que transitam na via pública.

Actualmente pouco divulgada, a festa das maias foi noutras épocas celebrada em todo o país, tendo caído em desuso devido a sucessivas proibições devidas a rixas originadas pelo despique entre localidades ou ainda por motivos religiosos, como sucedeu em 1402 por imposição régia a qual determinava "nõ cantassem mayas, ne Janeiras, e outras cousas q eram contra a ley de deus". A sua origem perde-se nos tempos e corresponde às Florálias celebradas entre os romanos e dedicadas a Flora, deusa das flores e da Primavera, a quem consagravam os jogos florais. Durante três dias consecutivos, as mulheres dançavam ao som de trombetas, sendo coroadas de flores as que logravam ganhar os jogos, adornando-se desse modo à semelhança da própria divindade a que prestavam culto. Aliás, é precisamente aos romanos que se atribui a implantação de tal costume na Península Ibérica, tendo a mesma alcançado especial aceitação na região do Algarve.

Também entre nós houve em tempos idos o costume de, por esta ocasião, coroar-se de flores uma jovem vestida de branco, prestes a entrar na primavera da vida, qual maia adornada de jóias, fitas e flores que nos traz à lembrança as fogaceiras de Santa Maria da Feira e as moças que levam à cabeça os característicos tabuleiros das festas de Tomar. E, tal como Flora entre os romanos, a jovem maia sentava-se num trono florido a cujos pés o povo dançava durante todo o dia, venerando desse modo a esbelta divindade pagã e celebrando os seus atributos que se permitiam o retorno dos vegetais. Conta ainda uma lenda antiga que em Lagos, no Algarve, tal costume incidia sobre um homem da terra que era adornado com as melhores jóias, o qual percorria as ruas da cidade montado num asno. Sucedeu que, em certa ocasião, terminada que foi a volta pela cidade, o maio dirigiu-se para os campo junto da cidade e desapareceu para nunca mais ser visto. Em virtude do ocorrido, o povo que ainda espera o seu regresso com as jóias que consigo levou passou a designar o Maio como "o mês que há-de vir"...

E, enquanto o Maio não chega para as gentes de Lagos, é altura de festejarmos as maias, alegrando as janelas com ramos de giestas floridas. Em breve virá a celebração do Corpus Christi e a Vaca das Cordas em Ponte de Lima, as festas do Espírito Santo e a Coca em Monção, a festa das fogaceiras em terras de Santa Maria da Feira e as fogueiras pelo S. João a evocar o solstício do Verão. A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e as adiafas e, pelo S.Miguel as desfolhadas ou descamisadas. Para trás fica o entrudus e as festas equinociais e pascais, a Serração da Velha e a Queima do Judas.

Assegurámos através do rito a ininterrupção do ciclo da natureza, participando desse modo na acção criadora dos deuses. Pela tradição, preservamos usos e costumes que chegaram até aos nossos dias e fazem parte do nosso folclore. Festejemos, pois, as maias, fazendo-as ressurgir com o mesmo colorido, alegria e pujança como nos tempos antigos!

(*) Jornalista, Licenciado em História

Foto: Maias em Valença

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