|
(Continuação...)
Ao que tudo indica,
foi em Alcobaça que em 1774 se instalou em Portugal a primeira fábrica
de “lenços, cambraias e fazendas brancas”, ao tempo do reinado de
D. José I, razão pela qual esse género de lenço também é conhecido por “O
Alcobaça”. Ao longo da sua existência, produziu uma grande variedade
de padrões, sendo que geralmente apresentavam fundo vermelho, azul ou
amarelo, com barras de diversas cores.
Compreensivelmente,
tratando-se de um objecto de higiene pessoal, a ninguém lembraria
enrolar ao pescoço o referido lenço que servia precisamente para assoar
o nariz do efeito provocado pelo cheiro do rapé. Apesar disso, alguém
teve imaginação para o fazer, dobrando-o ao meio e atando-o ao pescoço,
gesto este que se multiplicou por numerosos grupos folclóricos que o
assimilaram como se de algo genuíno se tratasse ou seja, ele fosse
realmente usado ao pescoço do homem no século passado. Quero dizer que
os responsáveis não se deram ao trabalho de investigar, limitando-se a
copiar aquilo que simplesmente os impressionou e pareceu bem.
Do ponto de vista
etnográfico, não pode o traje com referência a uma determinada época e
região em concreto ser apresentado de uma determinada forma ou ser-lhe
acrescentado algo porque assim nos agrada, devendo limitarmo-nos a
identificar como as pessoas realmente se vestiam, independentemente da
eventual beleza e exuberância do vestuário que era usado. Como tal, a
forma como o lenço tabaqueiro é apresentado por alguns grupos
folclóricos deve ser repensada! |