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A Indústria Chapeleira e o Traje Tradicional

 

Carlos Gomes(*)

(Continuação...)

Clique na imagem para ver em tamanho grandeNa segunda metade do século XIX, a cidade de Braga destacou-se nomeadamente pela indústria chapeleira localizada sobretudo na Freguesia de São Víctor. Esta indústria haveria mais tarde de se transferir para S. João da Madeira onde, aliás, veio a ser criado o Museu da Chapelaria. Adquiriu então notoriedade o chamado chapéu braguês, de copa alta e aba com cerca de sete centímetros de largura, cuja utilização se generalizou em todo o Minho. Não havia lavrador que, sobretudo em dia de mercado, não ostentasse o seu chapéu fabricado pela conceituada indústria bracarense. E era vê-los, de chapéu na cabeça, com vara de marmeleiro e casaca sobre os ombros a negociar o gado na feira de Ponte de Lima, Barcelos ou noutras localidades, como aliás atestam as fotografias da época. Não admira, pois, que os grupos folclóricos minhotos exibam com maior frequência o chapéu braguês em relação ao barrete, existindo porém alguns que já vão incluindo este na indumentária que exibem.

Noutras regiões do país, também o uso do chapéu se generalizou sob diferentes formas relacionadas nomeadamente com condições climatéricas ou de ordem prática, como sucede com o utilizado pelo maioral ribatejano ou o chapéu de abas largas da região da Estremadura.

Como é sabido, o traje tradicional não escapou à influência das modas das várias épocas nem às fantasias resultantes de uma política de turismo que utilizava o folclore também como atractivo para quem pretendia visitar o país. E, por maioria de razão, o folclore minhoto sofreu os efeitos dessa utilização, levando à assimilação de elementos originariamente estranhos que vieram a perdurar no tempo e a adquirir foros de autenticidade. E, atendendo a que tal situação se verificou principalmente em grupos folclóricos de renome que foram destacados ao tempo do Estado Novo, as adulterações acabaram sendo reproduzidas por outros grupos posteriormente constituídos que tomarem aqueles como referência em vez de procederem à sua própria investigação.

O chapéu braguês constitui precisamente um dos acessórios do traje minhoto que tem sido objecto de adulteração, sobretudo entre os grupos folclóricos da região do Alto Minho. Para além de, na maior parte dos casos já não corresponder ao que era outrora usado, a imaginação e a fantasia levam-no a incluírem nele diferentes adornos e enfeites e até, nalguns casos, irem ao ponto de lhe darem o aspecto do chapéu de toureiro.

Sucede que, para sobreviver, o minhoto ocupava a maior parte do seu tempo na lavoura que era a base do seu sustento. E, assim sendo, não se explica facilmente porque, em muitos grupos, os minhotos aparecem invariavelmente em traje de festa – eles de fato domingueiro e elas com o seu característico “traje à vianesa” – como se tratasse de um povo preguiçoso que mais não soubesse do que cantar e bailar, ao jeito da letra do malhão. Por conseguinte, faltam em muitos grupos folclóricos as figuras que caracterizam as várias actividades da respectiva vivência rural, incluindo o pastor das regiões montanhosas das Argas, da Peneda e do Gerês com as suas coroças de junco.

Pese embora a adopção do chapéu braguês na indumentária exibida pelos grupos folclóricos, ao contrário do que se verifica com o típico barrete camponês, não se trata de um acessório genuíno mas antes um produto da era industrial, a qual veio ameaçar de extinção os antigos costumes rurais que se procuram representar e que acabaria por suscitar a criação de grupos de folclore com o objectivo de preservar as mais genuínas tradições populares, fenómeno este que surge precisamente em Inglaterra e noutros países industrializados.

(*) Jornalista, Licenciado em História

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