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(Continuação)
Procurando de alguma forma reconstituir velhas usanças, a maior parte
dos grupos folclóricos adoptaram a designação genérica de ranchos
em alusão ao termo com que habitualmente se designavam os grupos de
pessoas que ocasionalmente se formavam para os trabalhos da lavoura ou
simplesmente para a festa ou romaria. Outros, porém, preferiram uma
designação mais prosaica e escolheram o termo grupo para
identificar o seu próprio rancho. Outros ainda, de mais pretensiosa,
decidiram optar por designações mais pomposas como orfeão ou
academia, aludindo respectivamente a Orfeu e à escola fundada por
Platão. Em todo o caso e quaisquer que sejam as designações com que se
apresentam, trata-se de uma forma de associativismo popular com a
finalidade de preservar e divulgar os usos e costumes das gentes que
representam.
Actualmente, os grupos folclóricos legalmente constituídos sob a forma
de associações ou integrando estas, reproduzem normas de funcionamento
que foram legadas ao associativismo em geral pelo espírito
revolucionário de uma época. Os seus próprios estatutos constituem em
grande medida uma réplica das constituições maçónicas cuja arquitectura
foi também reproduzida na constituição política do país desde 1822. A
própria exigência de um proponente para apresentação do novo associado,
a exposição numa vitrina da sua ficha de admissão e a obrigação do
pagamento de uma jóia constituem alguns dos rituais legados pela
maçonaria que deixaram de fazer sentido para o associativismo popular
nos tempos que correm. Porém, permanecem pela força da tradição e de um
certo desconhecimento relativamente às suas origens. |