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Para além da questão a saber qual foi o primeiro grupo folclórico
constituído como tal, parece ponto assente que a sua constituição
ocorreu em finais do século XIX. Com efeito, a criação de agrupamentos
folclóricos está inserida num contexto de emergência do associativismo
popular que tomou as mais variadas formas consoante as respectivas
finalidades, perseguindo contudo um objectivo comum que consistiu na
participação activa dos cidadãos nos mais diversos aspectos da sua vida
quotidiana.
A
génese do associativismo está profundamente ligada ao liberalismo e à
propagação dos ideários republicanos, reproduzindo frequentemente formas
e rituais que se confundem com as próprias associações secretas que
pugnavam por esses ideais, mormente a maçonaria. Por outro lado, o
surgimento da indústria e consequentemente, a tendencial padronização do
vestuário e de outros hábitos sociais ameaçava a sobrevivência de usos e
costumes mais ligados a uma existência rural. Os próprios cantares
característicos, inicialmente levados para o interior das fábricas,
acabaram abafados pelo ruído ensurdecedor das máquinas e silenciados
pelo ditame de uma disciplina fabril.
Por razões de natureza sociológica, não foram os grupos folclóricos as
primeiras manifestações organizadas de associativismo popular, tendo
estas começado por surgir nos aglomerados urbanos sob a forma de
sindicatos, centros escolares republicanos, bandas musicais e outras
colectividades promotoras do desporto, cultura ou recreio. Algumas
agremiações que entretanto vieram a alcançar grande notoriedade tiveram
origem em humildes grupos excursionistas constituídos nas tabernas de
minhotos e galegos, ostentando quadros onde figuram os retratos dos seus
associados, alguns dos quais ainda se podem encontrar nesses
estabelecimentos que também vão desaparecendo.
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