[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]   [ FAQs ]   [ Registar site ou blog ]   [ Enviar informações ]   [ Loja ]   [ Contactos ]

 
Pub
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
Pub
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
BLOGUES

Assine o Feed do Blog

Assine o Feed do Blog

Assine o Feed do Blog
 

 
 

 

Pub
 
»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub


No Centenário da Implantação da República

Folclore e Política - As Políticas do Folclore
 

 

Carlos Gomes(*)

(Continuação...)

Com o advento da I República, passaram as exibições do folclore a ser aproveitadas no contexto das “paradas agrícolas” de onde se derivaram os chamados “cortejos etnográficos”, exposições industriais e ainda nos congressos regionalistas que à época se realizaram já então com o propósito de debaterem a criação de regiões administrativas – províncias – em substituição da circunscrição distrital herdada da monarquia constitucional e que ainda vigora.

Em relação aos trajes tradicionais, passou o seu uso a ser incentivado junto dos meios burgueses da capital como máscara de Carnaval, havendo uma especial preferência pelos trajes minhotos com que se vestiam as crianças. Com esse propósito, promoviam-se concursos e bailes de mascarados nas colectividades de cultura e recreio, incluindo nas casas regionais que entretanto foram aparecendo, inicialmente frequentadas por uma espécie de elite que, apesar de migrada, ainda dispunha de tempos livres e meios para poder consumir, o que não sucedia com os seus conterrâneos sujeitos a uma vida miserável de escravidão.

A vulgarização do uso do traje regional como máscara carnavalesca teve sobretudo a ver com a necessidade de suprimir o incómodo xe-xé, zombando de tudo e de todos, figura brutal que em tudo desagradava aos políticos e à burguesia citadina que não lhe poupavam o seu atrevimento jocoso e a crítica mordaz.

Porém, havia de ser o Estado Novo, designação pela qual se tornou conhecida a II República, aquele que maior atenção prestou às coisas do folclore. Contudo, não constituiu seu propósito identificá-lo e preservá-lo da mesma forma como actualmente o entendemos, apesar de ter existido uma forte tendência com vista à sua musealização. Procurou antes, como aliás era próprio da época a outras latitudes, aproveitá-lo para os seus propósitos propagandísticos, quer na divulgação das potencialidades turísticas que o país oferecia, no contexto de uma indústria então nascente, como ainda na educação do povo nos valores pátrios e comunhão com a sua própria identidade.

A partir de meados do século passado, os “ranchos folclóricos” multiplicaram sobretudo através da organização das “casas do povo”. Para tal, o Estado Novo utilizou os serviços do Ministério da Educação Nacional, o Secretariado da Propaganda Nacional, a Mocidade Portuguesa, a Junta Central das Casas do Povo, a influência dos governadores civis e ainda a acção da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT). Organizou feitas e concursos. E, através de intelectuais de renome identificados com o regime, apurou as músicas, alterou e inventou coreografias, modificou os adornos dos trajes e introduziu uma vertente mais técnica e artística à sua representação. Em resumo, por mais bem intencionada que tivesse sido a sua intervenção neste domínio, os responsáveis pelo Estado Novo acabaram por produzir estragos irreparáveis ao folclore.

Por falta de pesquisa e método de análise, a maior parte das pessoas passou a dar como genuíno aquilo que não é mais do que uma versão estereotipada produzida pelo Estado Novo. E assumem-no com tal convicção que passou a constar dos seus próprios critérios de avaliação. E, no entanto, são visíveis em quase todas as coreografias e não só, as marcas deixadas pela intervenção que foi feita, quando não se trata mesmo de puras invenções. O mesmo se verifica com o traje, os instrumentos que são utilizados, as músicas e letras que compõem o reportório e os moldes em que decorre a própria apresentação. De resto, é notória a insistência em mencionar os prémios alcançados, os concursos em que participaram, as organizações em que se filiam e os países que percorreram em digressão em vez que descreverem aquilo que realmente interessa ao público e que consiste naquilo que vão representar.

Paradoxalmente, o preconceito com que actualmente o folclore do povo português é encarado, mesmo em relação ao folclore de outros países, não impediu o actual regime político de ter recuperado a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), alterando a sua designação para Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tampos Livres dos Trabalhadores (INATEL), apesar de à partida ter sido constituída à semelhança da sua congénere italiana Opera Nazionale Dopolavoro. E, justiça seja feita, aquela organização continua a manter um departamento para o Folclore, para além de numerosas iniciativas do maior interesse na valorização cultural e na ocupação dos tempos livres dos trabalhadores e da população em geral. E, isso é tanto mais importante quando porventura nunca foi tão necessário manter a alegria no trabalho!

(*) Jornalista, Licenciado em História


<<<Página anterior +++ Página seguinte>>>
 

Textos de Carlos Gomes - Index>>>

Outros Textos e Opiniões >>>

Pub

 


Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 

Pub

 


Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2010  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster