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  A Etnografia no Postal Ilustrado (2)

Carlos Gomes(*)

(Continuação)

Mas a industrialização não se reflectiu apenas no desenvolvimento dos transportes e vias de comunicação. Também as artes gráficas registaram um progresso notável com o desenvolvimento da zincogravura e, mais tarde, o aparecimento da impressão em offset. Este avanço dos processos de impressão possibilitou um incremento e uma melhoria na qualidade da imprensa que se reflectiu na produção de uma maior quantidade de jornais, no aparecimento das revistas ilustradas, publicações para viajantes e, como não podia deixar de suceder, na invenção do postal ilustrado.

Ao visitar um determinado local, o viajante tem a possibilidade de enviar à família ou aos amigos uma recordação do local por onde passou, realçando os aspectos locais que mais lhe apraz visitar e, simultaneamente, fazer-se notar na sociedade. Em consequência, o postal ilustrado tornou-se um excelente meio de promoção turística.

O postal ilustrado nunca pretendeu constituir-se como um registo histórico de um acontecimento ou sequer da imagem num determinado espaço temporal. De resto, os seus editores nunca adquiriram o hábito de inserirem a data de edição, até porque, destinando-se a serem vendidos, os mesmos por vezes permaneciam nos expositores por largos períodos de tempo até se esgotarem as edições. Porém, com o decorrer do tempo, as imagens que o postal reproduz vieram de certa forma a tornar-se um documento histórico na medida em que acabaram por registar uma realidade que existia ao momento em que as imagens foram captadas para serem reproduzidas no postal.

Não obstante o registo constante do postal ilustrado poder documentar um determinado momento histórico, ele não é inteiramente fiável porquanto o mesmo registo é propositadamente alterado pelo editor segundo critérios estritamente comerciais. Épocas houve que as cores quentes eram acentuadas e introduzidos elementos não constantes como nuvens e flores para preencher os espaços vazios e conferir um colorido mais atraente, da mesma forma que actualmente se procede a autênticas operações de limpeza com o recurso a programas informáticos de tratamento de imagem.

Não dispondo o postal ilustrado de data de edição, apenas é possível calculá-la aproximadamente através da imagem que reproduz ou ainda das técnicas utilizadas e dos grafismos empregues, como sucede com a utilização da fotografia, a impressão a preto, as diferenças de formatos e tonalidade das cores, a serrilha e outros elementos estéticos aplicados na sua produção. Todos esses aspectos encontram-se directamente relacionados com a evolução dos meios de produção gráfica e ainda dos gostos gráficos e modas utilizadas em cada época.

Apesar das mudanças ocorridas, os motivos etnográficos nunca deixaram de constituir motivo de figuração no postal ilustrado. O viajante é sempre atraído pelo colorido do traje tradicional ou pela informação de natureza etnográfica que nele está contido. Não raras as vezes, o elemento etnográfico é mais representativo do que qualquer outro em relação a uma determinada região ou país, como sucede nomeadamente com o traje à vianense. É indiscutível que este e o galo de Barcelos são mundialmente mais conhecidos do que muitos monumentos do nosso país!

(*) Jornalista, Licenciado em História

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