|
O homem, considerado
na sua individualidade, representa uma espécie de microcosmos da
Humanidade, portanto entendida esta como o seu próprio macrocosmo.
Partindo deste princípio, concluiremos que entre as realidades inerentes
às duas condições apenas se coloca uma questão de escala, a tornar os
objectos apenas diferentes quanto à sua grandeza e dimensão.
Assim, tal como o
indivíduo, também os povos e as sociedades humanas evoluem a partir de
uma fase embrionária até atingirem a plena maturidade e, à medida que
envelhecem, entram em declínio e desaparecem, dando lugar a novos povos
e civilizações. De igual forma, a arte e a cultura reflectem esse
percurso de vida dos povos, desde a sua infância até à idade adulta,
começando por se exprimir de uma forma rudimentar e quase abstracta até
atingir patamares mais elaborados e quase sublimes.
Nos seus primeiros
meses de vida, a criança aprende a gesticular os primeiros sons e
escuta-os com espanto e agradável surpresa. Contempla as suas mãos e
aprende a manipular o ábaco, adquirindo instintivamente a noção das
quantidades que hão-de estimular-se o sentido matemático. E observa as
cores produzidas a partir das suas próprias sujidades, começando por
elaborar a sua própria perspectiva plástica. E estas primeiras reacções
quase instintivas vão-se desenvolvendo com o seu crescimento, passando a
ordenar as primeiras sílabas e construir a sua primeira orquestra com os
tachos da cozinha.
Qual criança ainda a
gatinhar, também a Humanidade começou por escutar os sons da natureza
que o rodeia e imitá-los, revelando especial temor por aquilo que ouvia
e não enxergava – o vento. De seguida, passou a representar o seu
universo nas paredes da gruta, decorando a sua habitação com magníficas
obras de arte, sem jamais imaginar que o seu gesto haveria de se
reproduzir até à actualidade. E, com os calhaus e as peles dos animais
que caçava construiu os seus primeiros instrumentos musicais.
Como não podia deixar
de ser, a voz constituiu o seu primeiro instrumento musical. E, apenas
quando construiu as primeiras ferramentas, passou a criar aquilo que
actualmente se designa por música instrumental. A princípio, a música
era quase exclusivamente rítmica, produzida a partir de batimentos
constantes, vibratória e de percussão. Mas, aos poucos, foi-se tornando
cada vez mais melodiosa ao ponto de quase perder o ritmo, qual sinfonia
a reproduzir os sons da Natureza e a elevar um hino ao Criador. E,
assim, o Homem foi crescendo e, com ele, a sua arte, as suas leis e
instituições, construindo a cultura e erguendo a sua própria
civilização.
A cultura tradicional
a que convencionamos designar por folclore e
etnografia, remete para uma
época situada num período de tempo mais recuado pelo que, pela sua
própria natureza, caracteriza-se por formas relativamente menos
elaboradas e aparentemente mais rudimentares. O
artesanato é,
provavelmente, o elemento que com maior rigor exprime o carácter
psicológico de um povo – na sua imperfeição genuína, é seguramente,
aquilo que melhor o define!
|