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(continuação...)
A natureza
prodigalizou-nos belezas sem par, mas temos de dar u quem nos visita o
conforto que quase por completo nos falta. A estância do Bom Jesus do
Monte necessita de hotéis condignos, e, a exemplo do que se tem dado, e
muito bem, a outras terras, eu peço também, e com a maior urgência, o
estudo, seguido da realização, de tudo o que possa contribuir para o
desenvolvimento do turismo, indústria de que Braga pode, por mercê de
Deus, que lhe deu excepcionais condições, tirar os maiores proveitos.
Atrevo-me a continuar
a pedir ao Governo, pelos departamentos competentes, auxilio para as
suas indústrias, e, se puder ser, no próximo plano de fomento
industrial, a criação doutras novas também, para dar ocupação a tantos
braços que dia a dia vão surgindo para a labuta da vida e ao mesmo tempo
contribuir para o engrandecimento desta Pátria, a que tanto queremos e
pela qual tudo sacrificaremos.”
Na Sessão nº. 160, da VI Legislatura da Assembleia Nacional realizada no
dia 29 de Junho, o deputado António Mendes Correia toma a palavra e fala
sobre o Congresso de Etnografia e Folclore de Braga, nos seguintes
termos:
“Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz
referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a
gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de
Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de
hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo
naquela província.
Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que
formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra
para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os
congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos
encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo
para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da
assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do
científico - de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos
finais ali adoptados.
Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que
foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do
Pais.
Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e
das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua
psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas
tendências e as suas capacidades.
Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas
adequados, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo
antigo, por coleccionadores a esmo, por simples amadores sem preparação,
por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário,
maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou
quase, de espírito cientifico. Há ainda quem suponha que etnografia e
folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida
popular.
Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à
natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar
e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações.
Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história,
a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia,
etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.
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