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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  A Coca de Monção (2)

Carlos Gomes(*)

(Continuação...)

O culto a S. Jorge que ainda se pratica em Portugal e cuja festa da coca que se realiza em Monção constitui um exemplo do seu cunho popular, possui as suas origens em antigas tradições da Síria segundo as quais, S. Jorge foi um valente soldado da Palestina que, por ter confessado a sua fé cristã, veio a ser feito mártir. Na Idade Média vieram a criar-se numerosas lendas à sua volta, uma das quais relata ter existido em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia sacrifícios humanos.

A Coca de MonçãoTendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao cristianismo. O folclore não se resume à reconstituição das danças e cantares de um povo, do seu traje ou da exemplificação de alguns costumes ligados ao trabalho ou à festa. Ele constitui a história não escrita do povo e engloba toda a sua cultura não assinalada na sua história e na sua religião. Por outras palavras, o folclore ocupa na história de um povo um papel semelhante ao que o costume, ou seja, a lei não escrita, ocupa em relação às leis codificadas.

De origem saxónica, o termo folclore teve o seu aparecimento pela primeira vez há século e meio e quer dizer a ciência ou o saber do povo. Considerada como uma das variantes da Etnografia e frequentemente confundindo-se com esta, o folclore estuda especialmente as tradições populares isto é, o traje, as canções, as danças, as lendas, as superstições, os jogos, os adágios, as festas, a religião e até a medicina, nomeadamente a sua própria representação. Estas fazem parte da identidade de um povo - são raízes de Portugal !

(*) Jornalista, Licenciado em História

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