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(Continuação...)
O culto a S. Jorge que ainda se pratica em Portugal e cuja festa da coca
que se realiza em Monção constitui um exemplo do seu cunho popular,
possui as suas origens em antigas tradições da Síria segundo as quais,
S. Jorge foi um valente soldado da Palestina que, por ter confessado a
sua fé cristã, veio a ser feito mártir. Na Idade Média vieram a criar-se
numerosas lendas à sua volta, uma das quais relata ter existido em
Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia
sacrifícios humanos. |
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Tendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que
acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser
imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado
o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao cristianismo. O
folclore não se resume à reconstituição das danças e cantares de um
povo, do seu traje ou da exemplificação de alguns costumes ligados ao
trabalho ou à festa. Ele constitui a história não escrita do povo e
engloba toda a sua cultura não assinalada na sua história e na sua
religião. Por outras palavras, o folclore ocupa na história de um povo
um papel semelhante ao que o costume, ou seja, a lei não escrita, ocupa
em relação às leis codificadas.
De origem saxónica, o termo folclore teve o seu aparecimento pela
primeira vez há século e meio e quer dizer a ciência ou o saber do povo.
Considerada como uma das variantes da Etnografia e frequentemente
confundindo-se com esta, o folclore estuda especialmente as tradições
populares isto é, o traje, as canções, as danças, as lendas, as
superstições, os jogos, os adágios, as festas, a religião e até a
medicina, nomeadamente a sua própria representação. Estas fazem parte da
identidade de um povo - são raízes de Portugal ! |