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Durante muito tempo, os cata-ventos
constituíram um motivo de ornamentação dos pináculos das igrejas e
catedrais onde o galo, símbolo de vigilância e mensageiro da verdade
divina, ocupava o lugar cimeiro que uma bula papal do século X
determinara. Ou ainda, substituindo as flâmulas e bandeiras senhoriais,
exibiam nas torres dos castelos e palácios as armas do nobre que ali
residia.
Com o decorrer dos séculos, tal privilégio
estendendo-se á burguesia, em particular aos artesãos como forma de
assinalar os ofícios a que se dedicavam. Digamos que, mais do que uma
maneira de obter a informação do estado do tempo, tratava-se de uma
espécie de anúncio publicitário.
Para o agricultor, o cata-vento é de grande
utilidade uma vez que a sua actividade depende essencialmente dos
elementos da natureza. O mesmo se passa com o moleiro e o pescador. Não
admira, pois, que sobre cada moinho exista invariavelmente um cata-vento
a indicar a direcção para a qual o moleiro deve rodar o capelo a fim de
aproveitar a energia do vento. Mas, o sistema do cata-vento é também
frequentemente aplicado a poços de água cujo bombeamento aproveita a
acção do vento nas pás.
O camponês observa atentamente o que o
rodeia e, com base numa observação sistemática, procura daí retirar os
ensinamentos que o permitam
prever os fenómenos
meteorológicos de forma a melhor regular a sua actividade. Trata-se,
na realidade, de um método empírico que está na base da própria ciência
experimental, assente na constatação direcção dos fenómenos e rejeitando
qualquer forma de intuição. E, através da poesia e dos
axiomas, memoriza e
transmite os ensinamentos recolhidos, conseguindo com essa simplicidade
o extraordinário feito de fazer chegar a sucessivas gerações para que
elas se possam enriquecer com o seu conhecimento.
Mas, pese embora ter sido inicialmente um
privilégio do clero e da nobreza, eram os artesãos que os criavam numa
multiplicidade de formas, tendo-se tornado um elemento do património
popular que deveria merecer um maior cuidado na sua preservação.
Com o advento do estudo da meteorologia e a
difusão de boletins meteorológicos através da comunicação social, os
cata-ventos foram perdendo a sua função básica que consistia na
orientação das práticas agrícolas para se tornar um elemento
essencialmente decorativo. Não obstante, o estudo da meteorologia
aproveita o cata-vento e outros instrumentos da criação popular para
determinar a velocidade e orientação dos ventos, tendo apenas para tal
lhes acrescentado os mecanismos electrónicos que permitem efectuar o
registo gráfico. Aliás, qualquer estação meteorológica não dispensa
equipamentos básicos como aqueles a que nos referimos, pese embora o
extraordinário avanço que a utilização do registo da imagem por satélite
representou para o estudo da meteorologia.
Um pouco por todo o país, os cata-ventos
continuam a indicar a orientação dos ventos ao mesmo tempo que,
absorvidos no frenesi da vida diária, passamos indiferentes sem notar na
sua presença altaneira. Mas já vai sendo tempo de prestarmos uma maior
atenção a tais peças de arte popular que geralmente incluem motivos
decorativos de interesse artístico e etnográfico.
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