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Em breve virá o
Maio e com ele as maias feitas de giestas floridas, a
celebração do Corpus Christi, das festas do Espírito Santo em
Tomar e
nos Açores, as
fogaceiras em terras da Feira e as
festas e romarias que
animam as pequenas comunidades rurais, as peregrinações aos pequenos
santuários e ermidas que salpicam montes e vales e que servem de
pretexto para mais uma festa. As gentes do mar adornam os seus barcos e
vão em colorida procissão dar graças pelo pão que o mar lhes dá e
invocar a protecção que lhes vale na aflição.
A seu tempo chegarão
as colheitas e as malhadas, as vindimas e com elas as adiafas, o
S.Miguel e as desfolhadas que nalgumas regiões também se dizem
descamisadas. E, de novo, reiniciar-se-á o ciclo da vida e da morte que
assim permanece desde a criação do mundo, como um carrossel num
movimento incessante.
Na religião primitiva, o Homem unia a morte à vida como uma constante
de
perpétuo renascimento. Tal como na natureza ao Inverno sucede a
Primavera e
com ela o renascimento da vida e dos vegetais, a vida renasce da morte
da
mesma forma que esta resulta da própria vida. Esta forma de pensamento
vamos aliás encontrar na filosofia platónica e em civilizações mais
recentes ainda que sob formas diferenciadas. A tradição trouxe-nos até
nós tais práticas que passaram a fazer parte do nosso folclore.
Pese
embora as transformações culturais e as modificações que entretanto
se operaram na mentalidade dos povos, as mudanças sociais e de modos de
vida cada vez mais divorciada da própria natureza, cumpre-nos manter
tais costumes como forma de preservar a nossa identidade e, o que nos
parece essencial, a nossa própria dimensão humana. Graças à tradição
conseguiremos transmitir aos vindouros o conhecimento humano que os
nossos ancestrais nos legaram ! |