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Em plena Beira Baixa, a
aldeia de Lavacolhos no concelho do Fundão destaca-se pelos seus
conhecidos bombos que concorrem sempre para a solenização de todos os
momentos importantes da sua vida colectiva.
Calculando-se que existem
desde há mais de trezentos anos, os Bombos de Lavacolhos actuavam
obrigatoriamente por ocasião da Festa do Senhor da Saúde que ocorre no
terceiro domingo do mês de Agosto e ainda na véspera de
Santa Luzia,
festividade que tem lugar a 15 de Setembro, mas sempre à margem das
celebrações litúrgicas.
O ritmo é cadenciado e
violento mas de simples execução, não seguindo uma regra que obrigue à
transmissão, de geração em geração, do seu saber, deixando antes à
iniciativa do executante a liberdade da imitação. Aos jovens compete
apenas a tarefa de se iniciarem na arte de tocar o bombo de modo a
preservarem o rito tradicional. A arte de fazer rufar o bombo em
Lavacolhos consiste em fazer ressoar a membrana de pele de cabra de
forma ritmada, sendo característica a forma como o tocador conserva o pé
esquerdo sempre à frente, suportando o bombo com a perna e fazendo-o
saltar sempre que com a maceta lhe desfere violentas pancadas que o
fazem ressoar de uma forma única. Aqui, ao contrário do que sucede
noutras regiões do país, os bombos aparecem associados ao pífaro
genuinamente beirão, o qual constitui o elo de ligação entre os
restantes instrumentos, introduzindo-lhe uma componente melódica que lhe
confere uma particular harmonia.
Também a caixa vem associada a estes
ritmos predominantemente pastoris mas que não deixam de nos sugerir algo
de marcial, quase a desvendar-nos segredos dos ancestrais povos
lusitanos que ousaram desafiar a globalização então imposta pelo império
romano. Ali se dança, em roda ou em fileira, ao ritmo das palmas ou dos
estalidos produzidos pelos dedos em castanholas. Cantam-se composições
de sabor medieval não obedecendo a qualquer norma estética estabelecida,
mas em tom gritado a fim de possuir longo alcance e sempre retomado por
um conjunto de vozes que lhe confere uma dimensão colectiva.
Oh ! Alto, Oh alto
Oh ! Alto, Oh alto
Quanto mais acima, maior é o salto
Larilolela, oh alto, oh alto
Oh! Ana vai ver
Oh! Ana vai ver
O fogo no mar e os peixes a arder
Larilolela, Oh Ana vai ver
Eu bem te dizia
Eu bem te dizia
Se não me amasses, eu logo morria
Larilolela, eu bem te dizia |