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Em França causou inveja e em breve as mulheres elegantes procuraram por
todo os meios obter o seu próprio xaile de Caxemira.
Os xailes tornaram-se o desejo de qualquer dama elegante da europa e
américa.
A raridade, elevado preço e muita procura fomenta o surgimento de
imitações em França, Alemanha e Inglaterra, produzidas com lã de cabra,
lã merina, de seda e de algodão.
Introdução em
Portugal
O xaile terá chegado a Portugal sensivelmente na mesma altura que ao
resto da europa, diz-se que também trazido por marinheiros regressados
do oriente.
Francisco Ribeiro da Silva detectou a presença de um xaile entre o rol
das mercadorias confiscadas na Alfandega do Porto entre 1789 e 1791.
Como é óbvio, sendo um artigo contrabandeado significa que existe uma
procura, um mercado, que é apetecível e que seria um produto apenas ao
alcance de alguns privilegiados. Por via do contrabando os ricos não
privilegiados conseguiam obter produtos que os colocava a par dos
privilegiados e, aparentemente, o xaile seria um excelente sinal
exterior de riqueza.
O Dicionário de António Morais Silva (2ª edição de 1813) define “Chalé,
s.m. (do Hespanhol) – lenço pintado de marca mayor, que as mulheres
trazem pelos ombros, dobrado de sorte que fique em três pontas, sendo o
lenço quadrado. Os ingleses chamão chales a uma porção de certo longor,
e largura de tecido mui fino de lã de camello, de comum amarela, que as
mulheres lançavão ao pescoço, e as pontas enrolavão em redor do corpo
até à cintura, e são assás caros; vêi da Índia Oriental (a Shale).”
A inscrição da palavra “Chalé” no dicionário de António Morais Silva
significa que esta peça de vestuário era já conhecida e utilizada em
Portugal no primeiro quartel do séc. XIX.
Por outro lado, a referência à origem espanhola estará directamente
relacionada com o “Manton de Manila”. Ao que se diz foi inventado pelas
operárias das fábricas de tabaco em Sevilha. As folhas de tabaco vinham
das Filipinas embrulhadas em panos chineses velhos, muito ornamentados e
de forma quadrangular. As mulheres cortavam-nos e colocavam-nos em
triângulo sobre os ombros deixavam os braços livres para trabalhar e
simultaneamente protegiam do frio. Era prático, mesmo para uma saída
rápida à rua.
António Morais Silva faz ainda referência à origem do xaile, situando-a
na Índia Oriental e à sua difusão entre as mulheres da sociedade
inglesa.
Como é do conhecimento geral, entre nós a moda foi sempre muito
influenciada pelo estrangeiro e este terá sido o principal motor para a
introdução do xaile em Portugal, sendo mais plausível que a palavra
xaile provenha da denominação inglesa “shawl”, do que da sua origem
persa Shãl (shawl, chalé, xale, xaile).
Certo é que os primeiros xailes foram importados e simbolizavam estatuto
social e poder económico só ao alcance de alguns. |