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Por outro lado a preferência popular pelo xaile resulta de:
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Prático no uso diário - permitia maior amplitude e liberdade de
movimentos;
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Durabilidade - grande resistência, o que os tornava mais duráveis:
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Facilidade de manter e acondicionar - não necessitavam de grandes
cuidados com limpeza e ocupavam pouco espaço quando arrecadados;
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Compunha a figura – uma mulher envolta num xaile escondia a pobreza
do seu trajar e dando-lhe dignidade.
O xaile está presente em todas as ocasiões da vida da mulher-mãe.
Aconchega o recém-nascido e retribui a parteira;
Aos domingos e dias de festa é um complemento do melhor fato;
Peça de enxoval e complemento do trajo de noiva;
Resguardo do frio e da chuva;
Nos momentos de tristeza embiocava a cara e escondia a sofrimento. No
luto cobria o corpo e xaile de cor é tingido de preto, pois noutra cor
não teria mais utilidade;
Serve de mortalha;
É a peça que melhor passa de mãe para filha, uma vez que na maioria das
vezes nada mais havia para herdar;
O Xaile é o “tapa misérias”.
Embora possamos encontrar xailes em todas as regiões do país, o gosto,
os costumes locais e a riqueza da região ditaram preferências por
determinados tipos de xaile.
Em Trás-os-Montes e nas
Beiras o xaile é negro, seja domingueiro ou de
uso diário. No Alentejo,
Ribatejo e
Algarve além do negro, surgem outras
cores, como o castanho ou o cinzento, lisos ou com padrões sóbrios.
O xaile adquire expressão máxima na região da beira litoral, sobretudo
nos distritos de Aveiro e Coimbra, que considero a “Capital do Xaile”.
Nesta região, o gosto popular pelo uso do xaile enquanto complemento e
adorno do traje, levou ao uso de uma multiplicidade de tecidos de
materiais diversos, de padrões, de estampados e de cores inaudito e
singular, fomentando uma indústria e um conjunto de artes e ofícios
intimamente relacionado com esta peça de vestuário.
O xaile está intimamente ligado à figura da mulher e à sua vivência. |