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É pecado espetar o garfo no pão. Quererá dizer que é espetar o corpo de
Deus?
Partir o pão quente com a faca corta as forças de quem o amassou (Óbidos).
Pedaço de pão que cai ao chão apanha-se, beija-se e come-se: «Apanha-o,
beija-o e come-o», ouvi dizer na Ucanha, em rapaz.
Em Mangualde, Óbidos, Mondim, se cai o pão ao chão, sopram-lhe e
beijam-no.
Não devem comer treze pessoas à mesma mesa, morrerá a que tiver um nome
maior (Vila Real). Não se deve estar dinheiro em cima da mesa enquanto
se come; é sinal de traição ou pobreza (Vila Real).
Entornar água na mesa de comer dá azar e entornar vinho, alegria
(Alentejo). Entornar azeite no chão e partir vidros dá azar (Alentejo).
Quando se dá de comer ou beber a alguém que se engasga, supõe-se que foi
dado com má vontade, mas se se sabe que não, costuma dizer-se: «Olhe que
não foi dado de má vontade» (Barcelos).
Quando se está a comer e vem um pobre à porta, não se deve dar perdão,
dizendo: «Perdoe, vá com Deus» (arredores de Lisboa).
A razão será a de que haverá sempre a ideia de que um pobre pode ser
Jesus Cristo, tal como ocorre nos contos populares.
Quem come um fruto pela primeira vez num ano benze-se com ele, dizendo:
«deixa-me fazer novo. Em nome de Padre, Filho e Espírito Santo»
(Alportel, Algarve). Nas mesmas circunstâncias, na Beira, diz-se: «Ano
melhorano, Deus me deixe chegar ao ano.» Ouvi que, em Coimbra, quando se
come uma coisa pela primeira vez, se formulam três desejos.
Num jantar em que há raparigas solteiras, se alguma oferece a um conviva
palitos, não os deve escolher, senão não casa nunca, deve oferecê-los em
conjunto (Lisboa e Castelo Branco).
Não é bom ficar com a toalha na mesa depois da comida, porque andam os
anjos em volta, enquanto não se tira (Óbidos).
Não é bom aventar as migalhas da mesa ao lume, nem à rua, porque
se aventa a fortuna (Tolosa).
Sacudir a toalha à noite para a rua é deitar fora o pão, isto é,
impede-se que haja pão em casa (Lisboa).
Também se diz só: «Não é bom sacudir a toalha das migalhas para a rua.»
Será por irem tocadas da boca e poderem fazer feitiço?
Será, apenas, porque são pão e este se não deve pisar?
Se depois de comer, vem o sono, é sinal de fortuna (Tolosa).
É costume, quando alguém abre uma garrafa com vinho, beber um pouco dele
no seu copo. Diz-se que é por causa da cortiça. Não terá isto relação
com o que se faz na África Ocidental, onde, quando se bebe vinho de
palma, a dona da casa bebe primeiro, para «enlever le fetiche»? |