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Ó meu pai, vossa mercê
Já leu Lunário Perpétuo?
Já li, mas isso a que vem?
Ele diz que, em se sabendo
O planeta que domina
Em o dia de nascimento,
Se adivinha toda a sina
Que há-de ter o tal sujeito.
Tiram-se oráculos em datas célebres da vida infantil, como nascimento,
desmama. Estendem-se, por exemplo, diante da criança certos objectos:
dinheiro, cartas de jogar, etc.; aquele a que ela deitar a mão é
prognóstico para a vida toda.
É também costume tirarem as crianças as sortes nas rifas (Beira Alta).
No concelho de Moncorvo vão as crianças com imagens de santos e formando
procissão pelas ruas e campos, cantando estridulamente:
Água e mais água
Cais sobre nós;
Grandes e pequenos
Todos pão comemos.
Caia no centeio,
Que inda no ’stá cheio;
Caia na cevada
Que inda no ’stá grada;
Caia no trigo
Que inda no ’stá florido.
Os pais e parentes dos meninos dão-lhes as mãos a beijar para que
cresçam (Melgaço). Quando se medem aos 3 anos o mais que, depois,
cresçam é o dobro (Ponte da Barca, Galveias).
Quando se corta o cabelo, a primeira vez, a uma criança, vão-se colocar
uns fios no rebento de uma silva, sobretudo na noite de S. João, para
que o cabelo cresça (Tarouca). Em S.Paio de Jolda enterram o cabelo em
terra preta, para que fique preto. A rapaz que rapa a panela das papas
não lhe nasce a barba (Maia).
Dizem que as crianças que brincam com o lume mijam à noite na cama
(Óbidos e Lisboa).
Leva-se uma criança a um moinho, a primeira vez, toma-se-lhe a mão
direita e mete-se-lhe no adilhão da mó (o buraco onde cai o grão)
e diz-se três vezes assim:
Consoante este moinho anda em vão,
Quando vires com os olhos, faças com a mão.
Só o alheio não!
Pela graça de Deus e da Virgem Maria.
Rezam-se três padres-nossos e três ave-marias (Melgaço).
Quando as crianças já sabem pegar em tesouras, dá-se-lhes um bocadinho
da envide (cordão umbilical que se tem guardado) para a irem
cortar debaixo de uma laranjeira, a fim de serem felizes (Lagoa).
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