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  Romaria de Nossa Senhora dos Remédios

 

(Continuação...)

É que, como escreve José Portugal na introdução de «O Tempo da Festa», «o tempo da desordem dos sentidos, tempo do excesso, da abundância, do desregramento, é o da festa, pausa revitalizadora da vida social. Tempo, por excelência, de comunicação e troca, do desfazer momentâneo de barreiras sociais, verdadeira catarse colectiva e de profunda comunhão de valores e modelos culturais».

Ora, como refere João Vasconcelos no mesmo livro, «durante séculos (…) as festas foram religiosas porque não havia espaço cultural para elas fora do idioma do catolicismo. Fazendo seus o tempo e o sentido da festa e assim os devolvendo, a Igreja alicerçou a base para reivindicar para si o controlo sobre as festas e todos os níveis: controlo dos ritos, dos gestos e dos comportamentos mas também das ofertas votivas em bens e em dinheiro. Esta reivindicação, porém, nunca foi totalmente satisfeita.

A festa religiosa foi sempre, e continua sendo, uma ocasião de encontro, cheia de equívocos ou de confrontos entre poderes eclesiásticos, populações, notáveis e poderes civis, isto no que toca á sua organização e também naquilo a que se convencionou chamar o ‘catolicismo oficial’ e o ‘catolicismo popular’, no que diz respeito às práticas religiosas que nela têm lugar».

Se a partir do dia 6 se acentua o movimento das pessoas que vêm pagar promessas (e que prosseguirá até ao dia 8), do ponto de vista religioso, o momento culminante da festa é a grande procissão, durante a qual o andor da Senhora dos Remédios é transportado por juntas de bois, com os carros soberbamente engalanados.

Aspecto curioso destas celebrações é o de alguns romeiros, sobretudo minhotos, fazerem aquilo a que os gestores chamariam uma «economia de escala» e aproveitarem a deslocação a Lamego para visitar, também, o vizinho santuário da Senhora da Lapa (Sernancelhe), no qual uma das datas festivas é o dia 8 de Setembro.

Fonte: In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais

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