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Romaria
de Nossa Senhora dos Remédios
Tal como a silhueta do santuário, com a sua monumental escadaria, domina
a cidade de Lamego, também a romaria de Nossa Senhora dos Remédios (6, 7
e 8 de Setembro) tem um peso preponderante relativamente a outras
festividades religiosas vizinhas, atraindo romeiros do vale do Douro, da
Beira e até de regiões do Minho.
No local do actual santuário existia, desde 1361, uma ermida dedicada a
Santo Estêvão e que também atraía peregrinos vindos de muito longe. Dois
séculos depois o pequeno templo ameaçava ruína, o que levou o Bispo da
cidade, D. Manuel de Noronha, a decidir-se por erguer nas vizinhanças
uma nova igreja. Num dos altares mandou colocar uma imagem de Nossa
Senhora com o Menino ao colo, trazida de Roma, que depressa ganhou fama
por remediar os males de que os crentes se queixavam.
A fama de Nossa Senhora dos Remédios começou a crescer na mesma
proporção em que diminuía a devoção a Santo Estêvão, ao ponto de, em
1784, ter sido constituída uma confraria com a missão de edificar um
novo santuário. As obras iniciaram-se dois anos depois, mas, dada a
sumptuosidade do projecto, arrastaram-se até 1905.
O altar-mor é dominado por um trono com a imagem da Senhora dos
Remédios. Os dois altares laterais são dedicados aos pais da Virgem, São
Joaquim e Santa Ana. Os azulejos das paredes, da autoria de Miguel
Costa, narram episódios da vida de Nossa Senhora.
O vasto escadório vence o desnível entre Lamego e o santuário, tendo
nada menos de 686 degraus. É, por excelência, um dos locais de
cumprimento de promessas. O patamar mais alto é o Pátio dos Reis e nele
estão representados 18 monarcas e sacerdotes de Israel pertencentes á
árvore genealógica da Virgem. Dos sucessivos patamares tem-se esplêndida
vista sobre a cidade e o vale do Douro.
Esta festa é uma romaria no sentido mais lato do termo. Para além dos
aspectos estritamente religiosos há todo um aspecto lúdico materializado
em jogos populares, bailes, comida e bebida. A «noitada», marcada por
arraiais – uns mais organizados e outros mais espontâneos -, continua a
atrair multidões. Este exaltar dos sentidos, que pode passar pelos
excessos da comida, da bebida, do namoro ou da pancadaria, nem sempre
foi muito bem visto pela hierarquia religiosa. De resto, desde o final
do século passado [séc.XIX] até ao salazarismo houve um combate das
autoridades eclesiásticas e policiais aos «excessos dos arraiais».
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