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A Serra d'Arga, em Caminha, recebe (…) milhares de
romeiros, que, por tradição, vão pedir a S. João cura para quistos,
verrugas, doenças de pele e infertilidade ou mesmo uma "ajudinha" para
arranjarem casamento.
É a Romaria de S. João d'Arga, uma das mais típicas do calendário
festivo do Alto Minho, sempre responsável por uma "invasão" de gente,
muita da qual, no entanto, vai, apenas e só, à procura do som
característico dos tocadores de concertina e tocadores ao desafio, que
se fazem ouvir, em animadas rusgas, até às tantas da madrugada.
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Para afinar as gargantas e aquecer o corpo, que a aldeia fica a uma
altitude de cerca de 800 metros e, de noite, o frio aperta, os romeiros
têm ao seu dispor, em várias tasquinhas, o "chiripiti", uma bebida
fortemente "aconselhada" por Francisco Sampaio, ex-presidente da agora
extinta Região de Turismo do Alto Minho.
"É uma mistura de mel e de aguardente, produzidos na serra. Um cálice,
ou dois, ou mesmo três, não fazem mal nenhum, pelo contrário", assegura
Sampaio.
Muitos romeiros mantêm viva a tradição de ir a pé até S. João d'Arga,
como acontece com um grupo que conta já com mais de 70 pessoas e que
partirá de Vila Praia de Âncora bem cedo, para chegar à capela pelo
meio-dia, após ter percorrido cerca de 25 quilómetros.
Há,
também muitos solteiros que não desperdiçam a oportunidade de irem até
ao "penedo do casamento", situado no alto da serra e que, segundo a
lenda, consegue "arranjar testo para qualquer panela", tudo dependendo
da perícia de quem quer casar.
"A pessoa atira uma pedra para o penedo e se ela ficar em cima dele, à
primeira, é sinal que casa no prazo de um ano. Se for à segunda, tem que
esperar dois anos. E por aí fora", explica Francisco Sampaio.
Com o humor que lhe é peculiar, o homem-forte do turismo do Alto Minho
conta que o "desespero" de quem recorre ao penedo está bem patente nesta
quadra, que é uma das mais citadas quando se fala daquela romaria: "Ó
meu Senhor S. João / Casai-me que bem podeis / Já tenho teias de aranha
/ Naquilo que bem sabeis".
Normalmente, e ainda segundo Francisco Sampaio, os romeiros também não
se esquecem de deixar uma esmola ao diabo, representado por um dragão
que figura numa estátua debaixo da pata do cavalo de S. Miguel, não vá o
"bicho" levar a mal e desatar a fazer "diabruras" ao longo do ano.
Fé e lendas à parte, a romaria é característica pelas rusgas de
cantadores ao desafio e tocadores de concertina, pela noite dentro, até
às tantas da madrugada.
Segundo Marinho Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de Arga S.
João, chegam a juntar-se por ali, à volta da capela, 100 ou 200 homens e
mulheres a tocar e a cantar.
"É uma coisa simplesmente única", garante o autarca. (…)
Fonte:VCP.
Lusa
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