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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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»» Festas e Romarias de Portugal (2) Pub
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Festas e Romarias de Portugal por regiões(continuação)


« (...) À missa, à procissão, à feira e ao foguetório acrescentam um concerto de música de baile, um sarau cultural, um cortejo histórico ou etnográfico, uma exposição de artesanato, um festival gastronómico, uma prova de motociclismo.

Certas festas começam a integrar demonstrações de si próprias. Cortejos etnográficos e museus de santuários de romaria encenam quadros de festividades tal como se faziam no tempo dos nossos avós, e alguns agrupamentos folclóricos empenham-se na ressurreição de modos de festejar caídos em desuso.

Transformadas em manifestações da «cultura tradicional» num mundo em que a «cultura» e a «tradição» são mercadorias estimadas, várias festas capitalizam assim esse valor em seu proveito.»
João Vasconcelos
In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais


Madeira
» Festa da Senhora do Monte
Monte
Festa, festa mesmo, na Madeira são «As Festas», ciclo natalício que começa com as «missas do parto» e culmina apoteoticamente na «passagem do ano», com o magnífico fogo de artifício sobre a baía do Funchal, concentrando muita gente que se desloca do interior para participar no acontecimento. Depois ainda há, nas comunidades mais tradicionais, o «dia de reis». Mas as festas religiosas evocando patronos dos vários sítios são pedra essencial para a devoção de uns e a organização dos espaços lúdicos de outros. De entre estas celebrações, a mais marcante continua a ser a da Senhora do Monte, em Agosto. A igreja fica no cocuruto do anfiteatro que sai do mar, deixa construir a cidade do Funchal e vai avançando num crescendo até às serranias.
» Festa da Senhora da Piedade
Caniçal
A melhor festa da Senhora da Piedade no espaço madeirense é a da vila do Caniçal, no extremo oriental da ilha, passado o «furado» (o túnel) que a liga ao vale de Machico. A ermida desta Senhora fica no promontório sobre a Prainha única lingueta de areia amarela que há na Madeira, por «inveja» do fino areal que possui a vizinha do Porto Santo. O cabeço onde está a capelinha é careca, batido pela ventania do «cabo do mundo» que é esta região que fronteiriça as costas Norte e Sul. A ele sobem os mordomos, retiram a Madona da sua solidão, descem ao cais, com as opas drapejando ao cento como espantalhos a afugentar demónios ou o «mau olhado».
 
Açores
» Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres
S. Miguel
No quinto domingo após a Páscoa, eis que regressa a festa e a penitência a S. Miguel. A festa é a do Senhor Santo Cristo, vistosa e clássica; a penitência é a dos romeiros, às centenas, que este Senhor é de milagres e traz no coração os açorianos, que lhe retribuem na mesma moeda. É comum ver carros em comunidades açorianas dos Estados Unidos apresentando, em vez de bandeiras nacionais ou regionais, as flâmulas comemorativas destes festejos. E a vontade de participar em cada ano nesta devota tradição tem feito com que muito filho da terra, em andanças de diásporas, marque regresso cíclico à ilha exactamente por altura da procissão que reafirma e alicerça o culto mais marcante destas ilhas pias.
» Cavalhadas
S. Miguel
As Cavalhadas são uma das mais curiosas e originais festas açorianas, realizando-se a 29 de Junho, pelo São Pedro, no quadro das festas da recém-promovida cidade de Ribeira Grande, na ilha de São Miguel. Incluem um desfile a cavalo, que parece de alguma forma inspirado nos torneios medievais. Os cavaleiros concentram-se nos arredores da cidade, junto ao Solar de Mafoma, um palacete do século XVIII onde está instalado o Museu de Chá. Envergam calças e camisa branca e usam capas vermelhas, cavalgando atrás do «rei», uma personagem que exibe longas barbas. Evoluem ao som de cornetas até à Igreja de São Pedro (templo paroquial), em cujo adro declamam quadras.
» Festas do Divino Espírito Santo
O culto do Espírito Santo remonta ao tempo de D.Dinis e da Rainha Santa Isabel. Quase desaparecido do continente – com as excepções de Penedo (Sintra) e da Festa dos Tabuleiros (Tomar) -, mantém-se vivo nos Açores, em especial na Ilha Terceira (mas também com muita força ainda nas de São Miguel, Santa Maria, Pico e Flores). A emigração açoriana levou-o a locais tão afastados como o Hawai ou o Brasil. É uma tradição colectiva e caritativa, de inspiração franciscana. O culto dignifica e autonomiza uma das Pessoas da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, associando-lhe a celebração da fertilidade da terra (talvez inspirada em ritos pré-cristãos) e a exaltação da fraternidade (concretizada na partilha do bodo).
 
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» Romarias de Portugal
Chegou o Verão e com ele as festas e romarias que se realizam um pouco em todo o país, desde os grandes aglomerados urbanos que viram a sua festa crescer e atrair forasteiros aos mais recônditos lugarejos que reclamam a presença dos seus filhos muitas vezes emigrados em paragens distantes, mas sempre conservando na alma a devoção e o amor à terra que os faz regressar ao menos na festa da padroeira.
» Festas Populares
Quando hoje ouvem falar em "festas populares", certos portugueses urbanizados terão em mente festividades como a romaria da Senhora da Agonia ou as festas de Santo António em Lisboa. A sua "cultura popular" é a das romarias, do artesanato e do romanceiro. A outra, a da telenovela, do futebol, da discoteca, do megaconcerto, do centro comercial e do hipermercado, é, consoante os casos, "cultura de massas" ou "cultura pop", ou então não merece sequer o rótulo de "cultura ".
 
» Antigamente era assim... imagens de Festas, Feiras e Romarias de tempos idos>>>
 

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