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Esta capela, que assenta num rochedo, junto ao mar e tem planta
hexagonal, foi construída no século XVII e tem três belos retábulos de
estilo rococó. A origem do culto a Jesus Cristo como Senhor da Pedra
poderá ter tido origem num antigo e pagão culto de carácter naturalista,
muito frequente entre os povos pré-cristãos, cujas divindades eram
veneradas em elementos da natureza e, posteriormente, adaptado à nova
Fé. Ideia reforçada pela não menos intrigante «pegada do Boi Bento»,
indissociável do culto do Senhor da Pedra.
Antigamente, os romeiros dirigiam-se de manhã cedo em direcção à Capela
a pé, por vezes, formando rusgas com as pessoas que se juntava pelo
caminho. As mulheres levavam à cabeça a “condessa”, onde aconchegavam o
farnel. O homem transportava o vinho em cabaças ou mesmo em chifres de
boi, assim como o «reco-reco», para amenizar o cansaço durante a
deslocação.
Após cumprirem as promessas no local de culto, segue-se o merecido
descanso com o necessário piquenique. No final, dança-se e canta-se em
rodas.
Apesar do passar dos tempos a romaria manteve sempre a sua tradição,
levando ao local das festas multidões. Actualmente, volta a registar-se
um interesse redobrado por parte das populações em reviver um passado
cheio de tradições. Esta é uma das romarias mais cantadas de Portugal.
A importância que a romaria ao Senhor da Pedra teve no passado é
testemunhada pela existência, num raio de muitos quilómetros em redor,
de cantigas de romaria que lhe são dedicadas.
Há cantigas ao Senhor da Pedra em localidades como Cinfães e Paredes,
entre muitas outras. Quer isto dizer que acorriam às festas do Senhor da
Pedra muitos romeiros vindos de muito longe, que formavam ranchos e
rusgas.
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