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O
Pico onde se situa Monsanto (758 m) domina a planície em redor, tendo
por isso sido habitado desde tempos remotos. As casas, em granito,
trepam pelo Monte acima. A aldeia é dominada pelo castelo,
conquistado aos mouros por D. Afonso Henriques em 1165 e doado por este
aos Templários. A partir do séc. XVII foi adaptado ao uso da artilharia
e desempenhou papel importante nas sucessivas guerras com Castela, dada
a sua posição alcantilada e a proximidade da fronteira. |
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Cenário de sucessivos cercos ao longo dos séculos, desde o tempo dos
romanos e dos mouros, passando pela época medieval, travou o seu maior
combate durante a Guerra da Sucessão Espanhola (1705), ao
resistir a um exército espanhol que só entrou na praça após semanas de
luta. Já no século passado um raio provocou a explosão do paiol fazendo
mais estragos do que o invasor alguma vez fizera.
A Festa das Cruzes, a 3 de Maio, celebra a vitória dos
monsantinos num dos muitos cercos,
dizem
uns que dos romanos, outros dos mouros. As mulheres sobem até ao castelo
tocando adufes e cantando. Do alto das muralhas deitam um pote florido,
simbolizando o gesto de há séculos, quando um vitelo foi lançado aos
sitiantes para mostrar a que ponto os sitiados estavam providos de
víveres. Depois deste episódio de guerra psicológica, diz a lenda que o
cerco foi levantado. Atente-se nas semelhanças com outros episódios
lendários ou semi-lendários, como o da acção de Deladeu Martins durante
o cerco de Monção pelos castelhanos.
A festa de Monsanto tem uma particularidade. Quando o 3 de Maio não
calha a um Domingo, então a data é assinalada por uma cerimónia simples,
como aquela que se descreveu atrás. A grande celebração fica para o
Domingo seguinte. Nessa altura, em vez de um grupo de mulheres forma-se
um cortejo com ranchos folclóricos e que chega a ter centenas de metros
de comprimento e sobre também até ao castelo para lançar a bezerra
simbólica.
Outra tradição curiosa desta aldeia tem a ver com as marafonas,
bonecas de pano feitas por altura desta festa e às quais é atribuído o
poder de proteger as casas dos seus possuidores contra o mal causado
pelas trovoadas, devendo, para tal, ficar deitadas nas camas. |