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(Continuação...)
Se em 1860
começa a construção de uma estrada que ligava a igreja à cidade, a 6 de
Janeiro de 1864 Cristóvão de Vasconcellos de Azevedo e Silva oferece o
campo em frente à igreja para a construção do Parque da Piedade. Acerca
da construção do Parque da Piedade diz-nos Eurico Gama que “o
desenvolvimento do recinto dá-se, sobretudo, a partir de 1864, coroando
a abertura da estrada dos Arcos à Piedade, em que se iniciam novas e
prometedoras obras: fez-se em todo o comprimento da horta do Botelhão o
muro que a separa da estrada, com cómodos assentos desde o casal dela
até o terreiro de detrás da Igreja;
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alargou-se o acanhado espaço que mediava
entre a Igreja e o olival sobranceiro, construindo-lhe o polígono de
parede que subsiste pelo lado meridional (e antes tinha também
assentos), em cuja parte superior foi posto um gradeamento de uns 120
metros, encomendado em 1 de Maio de 1868; transformou-se (…) o ferragial
do sr. Cristóvão de Vasconcellos, depois Visconde de Mariares,
num agradável Jardim que se debruça sobre a estrada, encimando-o de
caprichoso gradeamento e adornado de vasos de piteira artificiais
colocados nos pilares divisórios, obra concluída.
Apesar de
concluída esta obra, no Parque da Piedade as obras seguiriam até 1902
(inauguração a 12 de Setembro) com a construção de um repuxo (1883), de
um lago (obra de 1902 feito depois de uma esmola de 1000$000 dada por
Manuel das Dores Azinhais) e de um coreto (obra direccionada por Tenório
Zagalo em 1889 que custou 677$500). A Avenida da Piedade foi sendo
aumentada sucessivamente ao longo dos anos através de donativos em
dinheiro e doações de terrenos.
Em 1881
torna-se o Jardim da Fonte da Fé (obra de 1831), em frente à igreja,
mais acolhedor e vistoso com a construção da referida fonte. Estavam
então reunidos os ingredientes para a tradição que ainda hoje continua
das festividades do São Mateus. As festividades tiveram sempre uma
grandeza imensa, desde cedo com fogo de artifício e com cartazes
publicitários pelo menos desde 1871. Aqui se deslocavam muitas famílias
em jeito de diversão e se faziam as principais transacções entre os
lavradores que procuravam novas alfaias agrícolas. A afluência era tanta
que a Companhia Real dos Caminhos de Ferro do Norte e Leste chega a
estabelecer bilhetes de ida e volta a preços reduzidos e Domingos
Lavadinho, mais tarde, chega a afirmar que “a típica romaria ao Senhor
Jesus da Piedade, a que concorrem os povos de muitas e remotas vilas e
aldeias, é o acontecimento mais notável do Alto Alentejo, na época
luminosa e dionisíaca das primícias do Outono”.»
In Elvas, História Viva
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