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- Diga lá ó meu senhor
Se posso viver assim
Eu em casa a trabalhar
Minha ma no jardim
Os ganchos do meu cabelo
São de arame retalhado
Os de minha mana Arminda
São de prata e de doirado.
- Viva lá, ó meu senhor
- Viva lá, menina Lidinha.
Se tem rendas, seda preta
- Temo-la aqui muito linda.
- Passe-me para cá o metro
Que não me posso demorar.
Meus pais são impertinentes,
Não me posso atrasar.
Passa depois a prima Alda:
- Já almoçaste, priminha?
- Estou a varrer a farmácia
Para tomar a estriquinina.
Sua mãe chamou por Lídia,
- Ó Lidinha, anda, anda
Vem dizer adeus ao quarto,
Despedir-te da varanda.
Lá morreu Lidinha Monteiro
Seu pai não se envergonhou
No dia do seu enterro
Nem a farmácia fechou
- Ó minha mãe, não te embarres,
Nas fitas do meu caixão.
Um dia hás-de ter remorsos
Do fundo do coração.
- Quem te disse, á Bacelar,
Que eu me matava por ti?
Foi por causa de meus pais
Que não gostavam de mim.
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