|
Trabalhou uma costureira,
O dia e a noite inteira,
Cheia de contentamento
Para deixar concluído
O seu lindo vestido
Que ia usar no casamento
De manhã umas raparigas,
Ternas amigas
Da sua infância
Trouxeram prendas vistosas
Formosas, rosas,
Com abundância.
Veio o noivo e convidados
Acompanhados
De jovens belas.
E sai o cortejo em frente,
Com muita gente,
Posta às janelas.
Foram os dois ao civil
Mas a união
É recusada.
Desmaia a noiva ao saber
Que o noivo tinha
Outra enganada.
No seu quarto se enfiou
E bem fechou
Por dentro a porta.
Tiveram que a arrombar
E lá dentro foram dar
Com a noiva morta.
O vestido que levava
Ó ai ó era
De seda branquinha
Dizia a mãe da janela
Ó ai adeus
Querida filhinha.
O manto que ela levava
Ó ai ó era
De seda amarela
Ó ai adeus
Ó filha donzela.
E as raparigas amigas
Choravam do coração
E as flores do casamento,
Com grande lamento,
Espalharam sobre o caixão.
E os rapazes que a levavam
Todos choravam
Cheios de dor.
Já morreu a Conceição,
Foi de paixão,
Por causa do seu amor. |