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»» ROMANCEIRO >> de Vila Real (Constantim)
 

O CALOTEIRO

Senhor José, não me paga?
Que vergonha é a sua?
Desde que ferrou o cão,
Não passou mais nesta rua.
- É talvez por lhe dever
Ou por ter medo de si.
Quer que deixe de comer,
Pra pagar o que bebi?
- Trabalhe, seu mandrião,
Caloteiro de má raça:
Eu, quando compro a fazenda
Tenho de largar a massa.
Quer você, à minha custa,
Encher a pança de graça?
Não tem vergonha de ouvir
O que dizem quando passa?
Trabalhe, seu calaceiro,
Se quer ter algum valor:
Os calos são os anéis
Do homem trabalhador.
- Eu calos na mão não quero,
É canalha que arrenego;
Dispenso esses anéis
Que não dão nada no prego.
E é você que vem pregar
Moral, com esse jeitinho?
Foi você que me roubou,
Vendendo água por vinho.
Lembre-se, seu impostor,
Daquele velho rifão
Quem enganar um vendeiro
Tem cem anos de perdão

in ROMANCEIRO (I vol.)
LITERATURA POPULAR DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO (5 vol)
por
Joaquim Alves Ferreira

 

 


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