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Festas Religiosas Populares (2)

No Alentejo, tal como acontece um pouco por todo o País, repetem-se nestes meses de Verão as Festas Religiosas Populares.

Desde cidades, a vilas e aldeias, o povo mobiliza-se na promoção de festividades em honra dos patronos das suas terras e comunidades, que num misto de profano e de sagrado expressam a sua cultura e a sua religiosidade.

A organização das festas inclui normalmente as comunidades paroquiais, constituídas pelos seus párocos, consagrados e leigos, em colaboração com a sociedade civil de que a Igreja faz também parte, Câmaras, Juntas de Freguesia, associações, colectividades, grupos ou entidades particulares, voltam a animar as localidades com as Festas de Verão que movimentam multidões.

Segundo o Pe. Augusto Silva, sociólogo e estudioso deste tipo de fenómenos, "cada actividade tem as suas motivações". Portanto, a adesão a uma religião e à sua prática também têm "motivações que podem ser: bio-cosmológicas; sócio-culturais; sócio-religiosas; de salvação eterna; de transformação espiritual."

A motivação sócio -cultural é característica da motivação popular e "pretende preservar os valores da sociedade e da cultura. Nestas circunstâncias, a prática impõe-se como uma herança tradicional, como lugar de encontro e de convívio. Daí que se dê especial importância à festa local, às peregrinações, às procissões e às manifestações de massa", explica o Pe. Augusto Silva.

Ao falar-se de religião devem ter-se em conta quatro elementos: ideológicos; culto; organizações; comportamentos morais.

"A religião pode definir-se de uma forma geral como "sistema de crenças e práticas relativamente a entidades meta empíricas aos quais os homens prestam culto, organizando-se e que isso tem implicações no seu projecto de vida", aponta o Pe. Augusto Silva.

A religiosa popular, segundo o Pe. Augusto Silva, "trata-se de expressões simples, de fácil relacionamento entre os símbolos e os conteúdos subjacentes, que respondem a qualquer coisa de profundo e unitário no homem." Na religiosa popular, as crenças tendem a ter "uma visão natural de Deus, uma incompreensão do sagrado, e uma tendência a dar muita importância à figura e função dos Santos", e o culto "privilegia o colectivo, o exterior e o espectacular", explica.

"A religiosidade popular pode-se definir, em sumo, como uma sub-cultura, um povo que está muito condicionado pela tradição".

Em termos ideológicos, o Pe. Augusto Silva explica que na religiosidade popular "existe uma visão de Deus um tanto deturpada, vendo-se Deus como o poderoso e o justiceiro e não tanto o Deus da bondade e da misericórdia, ou seja, as pessoas tende a associar a Deus aquilo que vêem entre os homens", aponta.

"Os conteúdos são mais restritos, menos ricos e menos sofisticados, valorizando-se aspectos que não são essenciais como o culto dos mortos e dos santos, porque se referem a pessoas que viveram neste mundo, que tiveram as dificuldades que todos temos"

No que respeita ao culto, na religiosidade popular, "o contacto com o sobrenatural exige uma expressão que se verifica não apenas no quotidiano, nas idas à missa, mas também nas procissões, nas promessas, nas penitências, nas peregrinações, nas expressões ruidosas", sublinha o Pe. Augusto Silva.

"Na religiosidade popular também se verifica a sacralização de tempos e de lugares, como vemos nos santuários que são cada vez mais valorizados, com o crescente número de peregrinações. O fenómeno das promessas, em que há uma espécie de pacto com o sobrenatural, também são expressões de culto na religiosidade popular", explica.

"O tempo de Verão é propício para a religiosidade popular, onde se expressa o santo da terra, porque é a ocasião em que a comunidade se pode reunir, pelas férias, pela vinda dos emigrantes. Em suma, a religiosidade popular é também um factor de integração comunitária, em que não há diferenças de classes", aponta o sacerdote jesuíta.

"As festas são ocasião de integração porque têm que ser preparadas, têm que existir comissões, trabalho em comum. E também se verifica até a integração dos jovens, porque há trabalho para fazer e todos são necessários", sublinha.

"Os foguetes, as quermesses, entre outros, são símbolos de uma pertença àquela comunidade, que tem um determinado patrono", explica, justificando o factor de integração que as festas religiosas populares assumem.

Normalmente os cartazes das festas religiosas populares revelam um misto entre o sagrado e o profano. Para o Pe. Augusto Silva essa mistura "é uma forma de atracção e de sedução de pessoas de fora." "Verificamos que muitas vezes certas manifestações, como procissões ou determinadas celebrações atraem muita gente, mas outras nem tanto. Por isso, com um cartaz que anuncia outras actividades, podem chamar pessoas àquela terra que acabam por assistir às celebrações religiosas também", explica.

Pedro Miguel Conceição

Nacional | Departamento Comunicação Social/Évora| 03/08/2007 | 10:58 | 4880 Caracteres

Fonte:
www.agencia.ecclesia.pt
email:
agencia@ecclesia.pt
 

 

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