|
Portanto, todo o país conhece Santo António e ele está presente, de um
modo geral, na vida eclesial, social e pessoal portuguesa, como patrono
de Paróquias, Províncias Religiosas, casas religiosas, edifício
públicos, casas particulares, avenidas, ruas, praças, terrenos
agrícolas, embarcações, etc. A sua imagem figurava já numa colecção de
selos de 1895, em comemoração do 7º centenário do seu nascimento e
circulou em Portugal uma nota de 20 escudos, com o seu busto e a
Casa-Igreja de Santo António, em Lisboa.
Muitas são também as pessoas que adoptam o seu nome para baptizarem os
filhos, confiando-os à sua protecção durante toda a vida. Esta tendência
criou raízes no século XVI, uma vez que, na Idade Média, o nome
«António» era muito pouco utilizado. Na região de influência do Mosteiro
de Alcobaça, por exemplo, por o nome «António» passou a ser o nome
masculino mais comum nesse tempo, surgindo também o antropónimo
feminino, «Antónia», para as meninas[14]. A Este facto, não é alheia a
transformação da casa dos pais de Santo António em Igreja, no século XV,
o que a tornou imediatamente um lugar de peregrinação, não só para os
lisboetas, mas, a pouco e pouco, para todo o país.
No
terramoto de 1755, a Casa-Igreja de Santo António foi destruída,
salvando-se apenas a imagem do Santo e a cripta, onde se conserva o
lugar que dizem ter sido o quarto de Santo António. A reconstrução que
se seguiu deu lugar à Basílica actual, que conserva uma passagem,
através da sacristia, para o quarto do Santo, no piso inferior. Nenhum
devoto dispensa contemplar com os seus olhos esse lugar e aí permanecer
uns momentos em silêncio e oração. Em Lisboa, em paralelo com a
relíquia, mais que a imagem do Santo, é venerado este espaço simbólico,
de dimensões reduzidas. A esse local acorrem, durante todo o ano,
milhares de peregrinos e turistas curiosos, vindos de todo o mundo.
A
imagem de Santo António está presente em quase todas as igrejas
portuguesas, as quais, quando o não têm como patrono, lhe dedicam um
altar. Normalmente a festa do dia 13 de Junho não é esquecida e onde não
se criou essa tradição, a imagem do Santo é integrada nas procissões e
festas principais das paróquias.
Se
exceptuarmos os santuários mais importantes e algumas igrejas dos Frades
Franciscanos, diante da imagem de Santo António não se celebram actos de
devoção de carácter colectivo, ao longo do ano. Ou seja, na grande
maioria dos casos, a religiosidade popular antoniana é privada. As
pessoas dirigem-se ao Santo quando necessitam a sua ajuda e
agradecem-lhe as suas graças com a oferta de velas, flores e dinheiro
para os pobres. Pelo contrário, em algumas igrejas ligadas aos
Religiosos Franciscanos, na Casa-Igreja de Santo António, em Lisboa, e
no Convento de Santo António dos Olivais, em Coimbra, mantêm-se vivas as
Terças-Feiras Antonianas, lembrando o dia do solene funeral do irmão
António, que, como acima se refere, aconteceu no dia 17 de Junho de
1231, uma Terça-Feira[15].
A
festa anual é celebrada com maior ou menor solenidade em todo o país,
unindo à parte religiosa a componente lúdica e folclórica. Lisboa é, sem
qualquer dúvida, o local onde os festejos são mais solenes e mais
vistosos, mas para termos uma panorâmica mais abrangente, além de
Lisboa, vejamos também dois lugares onde os Franciscanos Capuchinhos
vivem e trabalham em Portugal: Coimbra e Barcelos.
<<<< 8 Página -
Página 10 >>>> |
|