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Lisboa

Na Casa-Igreja de Santo António festeja-se o dia 13 de Junho com enorme solenidade. Durante o dia celebram-se várias Eucaristias, desde a manhã até à noite, e em todas elas é benzido o pão de Santo António[16]. Fora da igreja os devotos compram quanto pão desejam, sabendo que o produto da venda será entregue ao Orfanato antoniano de Caneças, de onde vem esse pão. Nesse local vendem-se também devocionários, livros alusivos à vida do Santo, objectos religiosos, estampas, medalhas e imagens. O dinheiro obtido reverte em favor dos mais carenciados. Durante todo o ano, às Segundas-Feiras, depois da missa da tarde é distribuído pão aos pobres, com uma pequena ajuda em dinheiro.

A eucaristia mais solene no dia de Santo António, é a do meio-dia, para a qual é convidado o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa. À tarde, faz-se a procissão com o Santo, que percorre as ruas antigas do Bairro de Alfama. Além das autoridades religiosas e civis da cidade, nela se integram os Frades Franciscanos, as irmandades de Santo António, a Ordem Franciscana Secular, as crianças do Orfanato de Caneças e uma multidão de devotos. Por onde passa a procissão, as pessoas adornam as janelas das casas com colchas e lançam pétalas de flores, no momento em que passa a imagem do Santo. Ao longo do percurso, as imagens de outros Santos do Bairro de outras capelas, esperam a chegada de Santo António, para serem incorporados na procissão, que chega a ter vários quilómetros. Como preparação para a festa realiza-se uma Trezena, que concentra várias dezenas de devotos, duas vezes ao dia, na Casa-Igreja do Santo.

Não se usa benzer as crianças, como se faz noutros países, mas elas também participam nas festividades. Além de se incorporarem na procissão, às vezes vestidas como o Santo, durante os 13 dias anteriores à festa, constroem tronos com pequenas imagens do Santo e pedem às pessoas que passam: «Uma moedinha para Santo António». Algumas, levam esse dinheiro à igreja, para ser entregue aos pobres, outras compram guloseimas, agradecendo ao Santo esses momentos deliciosos de satisfação. Este costume das crianças pode ser observado um pouco por todo o país.

Independentemente das celebrações litúrgicas, cada Bairro da cidade antiga organiza a sua festa em honra de Santo António. Edificam-se tronos para colocar a imagem do Santo, normalmente de terra cota. Enfeitam-se as ruas com arcos coloridos de flores de papel e balões acesos à noite. Há música e bailes todas as noites. Comem-se sardinhas assadas, bebe-se vinho tinto, salta-se a fogueira de Santo António e cantam-se quadras a Santo António. Algumas dessas quadras populares são espetadas nos manjericos como pequenas bandeiras, encimadas por um cravo, para se oferecerem à pessoa amada.

A noite do dia 12 é, para a festa civil, o momento mais importante. O ambiente convida toda a cidade a sair à rua. Cada bairro vai em grupo em direcção ao centro da cidade. As pessoas vão cantando e marchando ao som da música, que as acompanha. Cada par leva um pequeno arco de flores de papel, com um balão e, às vezes, a imagem de Santo António ou outro motivo alegórico. São as marchas de Santo António. Há já muitos anos, estas marchas tornaram-se um concurso entre bairros, ganho pelo Bairro que apresentar a melhor marcha popular, a melhor música e letra da canção, a melhor coreografia e o melhor vestuário. À meia-noite, o fogo-de-artifício marca a chegada do dia 13 de Junho, o dia da festa. Têm início, então, os bailes em cada um dos Bairros mais antigos da Cidade.

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