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Tradições, lendas e
curiosidades
As festas açorianas caracterizam-se pelo seu carácter fortemente
religioso, destacando-se as festas do Espírito Santo que se estendem a
todas as ilhas. Estas festividades, levadas para os Açores pelos
primeiros colonos, terão sido fruto da devoção que a Rainha Santa Isabel
dedicava ao Divino Espírito Santo. A ocorrência de catástrofes naturais,
a dureza da vida e o isolamento das ilhas aliados à fama dos milagres
operados pelo Espírito Santo contribuíram para que o culto se
desenvolvesse e ganhasse raízes, sendo muitas vezes levado pelos
emigrantes açorianos para terras distantes, onde ainda hoje são
repetidas as antigas cerimónias, como, por exemplo, no Brasil, Havai,
EUA e outros locais da América do Norte e da África. Com características
diferentes de ilha para ilha e até mesmo de povoação para povoação,
todas estas festividades têm em comum a coroação do Imperador e
realizam-se desde o Domingo de Pentecostes até ao Verão.
Em São Miguel,
realizam-se as festas do Senhor Santo Cristo do Milagres que têm lugar
na Igreja do Convento de Nossa Senhora da Esperança, no quinto domingo a
seguir à Páscoa. O seu ponto alto é a procissão em que se transporta a
imagem do Senhor Santo Cristo, num andor decorado com flores. As ruas
são também atapetadas com flores e as janelas e varandas enfeitadas.
Também merecem referência as festas São-Joaninas, durante as quais se
pode assistir a touradas à corda e a esperas de gado. Na cidade da Horta
(Faial), têm lugar as Festas do Mar.
O folclore açoriano
inclui alguns elementos característicos como a viola de arame, os
ferrinhos e os tambores. Na tradição musical, destaca-se a lira, canção
que se pode ouvir nas ilhas Terceira, São Jorge, Faial e Flores.
A forte emigração
para os Estados Unidos da América deu origem aos "calafonas" ou
emigrantes que, devido às suas visitas ou até mesmo ao seu regresso,
deram origem a certos hábitos linguísticos que se espalharam pela
população. Repare-se, a título de exemplo, que "beibi" significa criança
de colo ou bébé e terá origem no termo inglês baby ou então "apesteres",
o andar superior, que terá origem em upstairs.
Outrora era possível
ver pequenos carros com cargas leves a serem transportados por carreiros
e nas desfolhadas faziam-se bonecas de folha de milho para as crianças.
A tradição açoriana inclui naturalmente vários mitos e lendas
relacionados com a caça ao cachalote.
No traje açoriano
usam-se capas a cobrir a cabeça, barretes cónicos de lã e carapuças de
orelhas - as de campanha são típicas das Flores e as de rebuço de São
Miguel. São também característicos os chapéus de palha do Pico.
O artesanato adquire
diferentes expressões conforme as ilhas: cerâmicas de Lagoa (São
Miguel), bordados e rendas (São Miguel, Terceira, Pico e Faial), colchas
de tear (São Jorge e Terceira), trabalhos em miolo de figueira, escamas
de peixe, palha de trigo (Faial), gravações em dentes e ossos de
mandíbulas de cachalote (Pico, Terceira, Faial e São Miguel), capachos
feitos de folha de milho e espadana, flores de escamas de peixe, papel e
pano, tecelagem de mantas e colchas, trabalhos em vime, objectos de
cedro, olaria, trabalhos em ráfia, conchas do mar e madeira.
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