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»» Para reflectir... As três peneiras Pub


As três peneiras
(Texto remetido. via email por Planeta Voluntários):

Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém.

Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras? - indagou o rapaz.

- Sim ! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?

Arremata Sócrates:

- Se passou pelas três peneiras, conte !!! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar.

Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

 

Sócrates (470-399 a.C.) - Filósofo grego. Seu pai era o escultor Sofronisco, e a mãe, de nome Fenareta, era parteira. Viveu em Atenas praticamente toda a sua vida, casou com Xantipa, de quem teve filhos. Foi discípulo de Pródico e do geómetra Teodoro de Cirene, e mestre de Alcibíades. Apesar de ter sido atacado por Aristófanes, como sofista, desprezava a sofística e os exageros demagógicos. Não escreveu nenhuma obra e o seu ensino, irregular, foi todo oral, razão pela qual é necessário recorrer aos testemunhos de alguns dos seus discípulos para reconstituir o seu pensamento filosófico, o que é difícil, já que as opiniões daqueles que com ele contactaram são frequentemente discordantes. Sócrates era visto em todos os pontos de reunião: nas assembleias do povo, em festas públicas, nos ginásios; qualquer lugar e acontecimento era pretexto para ele discorrer perante os que o ouviam, e o que dizia não agradava a todos. As suas críticas constantes à democracia, acompanhadas da ironia que o caracterizava, fizeram nascer o descontentamento nos seus concidadãos, de tal modo que Anito, Mélito e Lícon o acusaram de impiedade e de corromper a juventude, o que foi um simples pretexto para o eliminarem. Foi julgado em tribunal e condenado a morrer pela cicuta, tendo mantido sempre uma atitude verdadeiramente estóica. Platão reproduziu, sob uma forma dramática, as suas últimas conversas, nos diálogos de Críton e Fédon e é, muitas outras obras, veículo das ideias e filosofias do mestre, cuja máxima sempre foi: «Conhece-te a ti próprio.»
Fonte: Nova Enciclopédia Portuguesa - vol.12


 

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