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Para se urdir a teia, os novelos distribuem-se pelos
compartimentos dum tabuleiro, chamado coveleiro; o fio de cada
novelo vai passar por um dos 24 orifícios marginais de uma comprida pá (empalhadeira):
ao conjunto de 24 fios chama-se um linhol. A urdideira é uma
grande dobadoira de dois quadros, travados inferiormente a um ângulo
recto, por uma travessa, quando se quer pôr a trabalhar, e que gira em
torno do eixo, que vai do soalho ao tecto da casa; um dos lados
verticais de um quadro tem na parte superior uma régua horizontal, em
que estão cravadas quatro varetas de madeira, e na parte inferior três
outras varetas: ao conjunto da régua e das varetas chama-se cruzes.
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Os fios de linhol são distribuídos ao alto da urdideira e
formam por cada percurso com ramo, os fios do qual passam, de
cada vez, alternadamente por cima e por baixo das varetas das cruzes;
desta forma, ateia fica disposta para entrar no tear cruzada e assim se
manter ali pela acção das canas.
Os teares que tivemos ocasião de ver são constituídos pelas mesmas
partes, mas diferem no aspecto e proporções: os de Cales são baixos,
compridos e de mesas horizontais; os de Agarez, aldeia a meia hora de
caminho daquela, são mais altos, mais curtos e estreitos e de mesas
inclinadas, muito semelhantes aos do Minho. Mas aqueles estão a ser
substituídos por estes, que dão o pano mais apertado e resistente.[ver
imagem abaixo]
A nomenclatura comum é a seguinte: as mesas em que se apoiam e
donde nascem as diferentes peças do tear são limitadas num dos topos por
uma larga travessa fixada obliquamente, onde a tecedeira se assenta, e
no topo oposto pelo orgo (órgão), em que se enrola a teia, que
gira nos orifícios de duas peças pregadas às mesas (pombas) e é
travado pela tranca que o atravessa e o apoia sobre uma das
mesas. Do meio das mesas nascem as cruzes, em cujos braços se apoiam
duas travessas: da que é móvel descem as agulhas, tiras de
madeira que atravessam os canais e os mantêm na posição
conveniente para receberem o pente; o canal superior tem
ao meio uma pega (mão) por onde a tecedeira puxa para si o
conjunto, num movimento brusco que tem por efeito apertar com o pente
o fio transversal, introduzido entre os dois ramos da teia pela
lançadeira. Da outra travessa estão suspensos os dois carretões,
por cujas roldanas (carrilhos) passam os barbantes que suspendem
o seu turno os compostoiros superiores, que, ligados aos
inferiores por fios, constituem com estes os liços. Os
compostoiros inferiores estão também ligados por barbantes às
extremidades de duas alavancas interpotentes (premedeiras), que
a tecedeira alternada e sucessivamente faz subir e descer como pedais,
para cruzar a cada golpe de lançadeira os ramos da teia
que são arrastados pelos liços. O pano tecido passa sobre uma
travessa das mesas, colocada entre o assento e as cruzes, e vai
enrolar-se num segundo orgo colocado sob as mesas e movido por
uma roda, travada por outra pequena tranca que prende em
rasgos feitos na periferia da roda. A teia que se desenrola do
orgo é mantida cruzada por duas canas, conservadas sempre em
posição pela acção do peso ou ferro a elas ligado
por um cordel que passa sabre o orgo. |