|
O trabalho do pauseiro começa com o deitar a árvore abaixo.
Com o serrão talha-a em toros, à medida aproximada do comprimento
dos paus, dada pela craveira, tira de madeira, com os
diversos comprimentos marcados com traços. Racha o toro
longitudinalmente à grossura aproximada dos paus, com um machado
em que bate com um maço, feito da parte mais nodosa da árvore,
encabada ad hoc. O trabalhar dos paus é feito no banco,
tronco posto horizontalmente sobre três pernas baixas, que o pauseiro
cavalga, e que tem o cepo cravado verticalmente na parte anterior
e uma espera ou rasgo em que segura o pau, a meio do
banco, do lado direito.
O pau é primeiro composto com a machada. Depois,
esboçada grosseiramente a forma do pau (rebouçado), com a
enxó de ferro plano. Em seguida, mais aperfeiçoado com a mesma
enxó (chegado). Finalmente acabado com o formão (limpo)
e nele aberto o friso, onde se prega a vira. (ver figura)
A palmilha é um pouco escavada com enxó de ferro convexo (enxó
de escavar).
O tacãozinho das socas é escavado em toda a volta (vazado) com
uma goiva.
A indústria foi em tempos muito florescente em
Vila Real, onde havia
para cima de uma dezena de pauseiros. Hoje há apenas três ou quatro.
Em Vila Real e arredores diz-se de quem é estúpido: burro como um (ou
dois) soco. |