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Mulher que lava a roupa caseira, sua ou alheia, em tanques, poços, rios,
lavadouros. No princípio do século, eram muito frequentes as lavadeiras,
que vinham de Lisboa buscar e trazer a roupa às freguesas; eram
geralmente de Caneças e Loures e andavam com grandes trouxas à cabeça;
tratavam-nas por saloias e vinham em grandes galeras, por exemplo
até à Estalagem dos Camilos, na Rua do Amparo (1). Daí seguiam a pé para
diferentes casas. A roupa distinguia-se por marcas que cada possuidora
lhe punha: ou as iniciais ou as pequenas estrelas, flores, ilhós, bolas
a cheio, etc. |
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A roupa pode ser lavada sem barrela ou com barrela.
No primeiro caso, procede-se da seguinte forma: leva-se para o
lavadouro, que é uma lage inclinada, e aí se ensaboa e se esfrega com os
punhos fechados. Vai seguidamente para a cora (leia-se córa),
estendendo-se no chão, com o sabão e ainda molhada (na areia ou num
erbaço), durante dois dias. Torna ao lavadouro, tira-se-lhe o sabão
e enxagua-se. Seca-se em cordas, arames, etc. Depois da seca,
palmeja-se (dobra-se e espalma-se com as mãos) ou passa-se a ferro.
E fica pronta para se vestir.
Para lavar a roupa com barrela, procede-se como anteriormente até à
cora; depois de corada, acama-se toda, conservando o sabão que traz da
cora, num caixote ou numa canastra. Põe-se-lhe por cima o barrelote
(algures) ou barreleiro (Nelas), que é um pano forte (de estopa,
geralmente), com cinza dentro, peneirada (para não levar carvões, etc.),
à qual se mistura mentrasto, ou loureiro, ou folha de laranjeira, ou
tudo junto. Deita-se-lhe água a ferver, de modo que saia quente pelo
fundo da vasilha em que está (a primeira que sai ainda é fria). Se a
roupa é muita, tem de deitar-se muita água fervente. Assim fica uma
noite. De manhã, vai-se tirando a roupa, que ainda está morna,
chega-se-lhe sabão e esfrega-se no lavadouro. Põe-se novamente a corar.
No fim da corada, lava-se suavemente, enxagua-se e torce-se no ar, com
as duas mãos; sendo peças grandes, são precisas duas pessoas, uma de
cada lado. Põe-se a secar e passa-se a ferro.
A literatura ocupou-se das lavadeiras, citando-se, ao acaso, Júlio Dinis
nas Pupilas do Senhor Reitor e João de Deus na poesia
«Boas-Noites» (Campo de Flores). |