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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Lavadeira -
Ver imagens das Lavadeiras no Rio Corgo (Vila Real)
 
   

Mulher que lava a roupa caseira, sua ou alheia, em tanques, poços, rios, lavadouros. No princípio do século, eram muito frequentes as lavadeiras, que vinham de Lisboa buscar e trazer a roupa às freguesas; eram geralmente de Caneças e Loures e andavam com grandes trouxas à cabeça; tratavam-nas por saloias e vinham em grandes galeras, por exemplo até à Estalagem dos Camilos, na Rua do Amparo (1). Daí seguiam a pé para diferentes casas. A roupa distinguia-se por marcas que cada possuidora lhe punha: ou as iniciais ou as pequenas estrelas, flores, ilhós, bolas a cheio, etc.

A roupa pode ser lavada sem barrela ou com barrela.

No primeiro caso, procede-se da seguinte forma: leva-se para o lavadouro, que é uma lage inclinada, e aí se ensaboa e se esfrega com os punhos fechados. Vai seguidamente para a cora (leia-se córa), estendendo-se no chão, com o sabão e ainda molhada (na areia ou num erbaço), durante dois dias. Torna ao lavadouro, tira-se-lhe o sabão e enxagua-se. Seca-se em cordas, arames, etc. Depois da seca, palmeja-se (dobra-se e espalma-se com as mãos) ou passa-se a ferro. E fica pronta para se vestir.

Para lavar a roupa com barrela, procede-se como anteriormente até à cora; depois de corada, acama-se toda, conservando o sabão que traz da cora, num caixote ou numa canastra. Põe-se-lhe por cima o barrelote (algures) ou barreleiro (Nelas), que é um pano forte (de estopa, geralmente), com cinza dentro, peneirada (para não levar carvões, etc.), à qual se mistura mentrasto, ou loureiro, ou folha de laranjeira, ou tudo junto. Deita-se-lhe água a ferver, de modo que saia quente pelo fundo da vasilha em que está (a primeira que sai ainda é fria). Se a roupa é muita, tem de deitar-se muita água fervente. Assim fica uma noite. De manhã, vai-se tirando a roupa, que ainda está morna, chega-se-lhe sabão e esfrega-se no lavadouro. Põe-se novamente a corar. No fim da corada, lava-se suavemente, enxagua-se e torce-se no ar, com as duas mãos; sendo peças grandes, são precisas duas pessoas, uma de cada lado. Põe-se a secar e passa-se a ferro.

A literatura ocupou-se das lavadeiras, citando-se, ao acaso, Júlio Dinis nas Pupilas do Senhor Reitor e João de Deus na poesia «Boas-Noites» (Campo de Flores).

Informações retiradas de "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos

(1) Este assunto foi retratado no famoso filme português “Aldeia da Roupa Branca”, de Chianca Garcia, com a actriz Beatriz Costa (1938). Mais>>>

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