|
|
Entre Agosto e Setembro, os jungos já estão atempados; são
cortados ou arrancados nas jungueiras, que principalmente se
encontram nos sítios mais lentos. São escolhidos e atados em
mandas, que seguidamente se maçam, delubando-as (mas somente metade,
para o lado da raiz, a outra metade fica intacta, para fazer pano à
croça).
Expõem-se depois em riba da beira para curarem, durante
quinze dias, mais ou menos. Findo este tempo, a croceira pode
começar a fazer as croças, que são de dois tipos e cujos chamadoiros
são: croça de ombros, usada pelos homens, e croça de cabeça, usada pelas
mulheres. Esta última pode ter ou não ter pêra (espécie de pêra,
como o nome indica, feita de juncos, por onde a croceira começa a fazer
a croça).
|
|
A croça de ombros compõe-se de duas partes: a croça de ombros
propriamente dita e o croço (com o feitio da croça de cabeça, mas
de tamanho menor, que apenas serve para cobrir a cabeça e os ombros). A
croça de ombros propriamente dita tem uma parte chamada cabeção e é
envergada por meio de duas aberturas formadas por um conjunto de cordas,
a que se dá o nome de maneias.
A parte interior da croça, chamada o pano da croça, assenta sobre
tranças intercruzadas no sentido transversal (carreiras) e no sentido
vertical (cordas). A parte exterior, por onde a água escorre, chama-se a
colma da croça (Barroso).
Num apontamento, que parece ter algumas dezenas de anos, o Autor diz que
se trata de indústria caseira de mulheres pobres (coceiras). Contudo,
numa informação de 1965, também do Barroso, diz-se que esta indumentária
é feita por homens. A mesma moderna informadora definiu croças ( croças=coroças)
como capas de junco, pelos ombros, usadas pelos homens, que tapam a
cabeça com chapéus de palha, às capas de junco usadas pelas mulheres e
que cobrem a cabeça chamou croços (cróços). |