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(continuação...)
Foi
também graças ao seu trabalho que a antropologia portuguesa se tornou
conhecida fora do país. Para além da sua colaboração com estudiosos
brasileiros, como Gilberto Freyre, Jorge Dias contactou com vários
colegas na Europa e América, foi visiting scholar nas Universidades de Witwatersand (África
do Sul) e Standford (Califórnia, EUA). A sua colaboração em instituições
internacionais ligadas à investigação e divulgação da antropologia foi
também notória, tendo sido, entre 1954 e 1956, Secretário-geral da
Comissão Internacional de Artes e tradições Populares (CIAP), e membro
do conselho de administração da mesma, em 1964, quando esta instituição
mudou a sua designação para Société Internationale d´Ethnologie et
Folklore (SIEF). |
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Pertenceu ainda ao
grupo fundador da revista
Ethnologia Europae. A sua
projecção internacional está bem patente nos mais de cinquenta
antropólogos estrangeiros que colaboraram no livro de homenagem que os
seus companheiros (Ernesto V. Oliveira, Benjamim Pereira, Fernando
Galhano e Margot Dias) compilaram após a sua morte (In
Memoriam António Jorge Dias, 1974, 3 vols.).
O
trabalho de Jorge Dias dirigiu-se ainda à institucionalização da
disciplina antropológica, quer ao nível da investigação etnográfica e
museológica, quer no respeitante à divulgação e ensino da disciplina no
meio universitário. Deste modo, Jorge Dias foi docente de várias
cadeiras de âmbito antropológico na Faculdade de Letras da Universidade
de Coimbra e no antigo Instituto Superior de Ciências Políticas
Ultramarinas (agora denominado ISCP), onde começou o primeiro curso
universitário português de antropologia.
No que
diz respeito à investigação, Jorge Dias criou unidades destinadas
exclusivamente à investigação, como o Centro de Estudos de Etnologia
(CEE) e o Centro de Estudos de Antropologia Cultural (CEAC). O primeiro
destinava-se primordialmente ao estudo da etnologia no território
nacional, enquanto que o segundo (cuja denominação foi posteriormente
mudada para Centro de Antropologia Cultural e Social e que se manteve
até à sua extinção em 2004) se dirigia ao estudo das culturas extra
europeias. Do trabalho efectuado no âmbito destes centros de estudo
surgiu, em 1965, o projecto do Museu de Etnologia como um museu
universalista, que incluiria acervos de todas as culturas, portuguesa,
europeias e extra-europeias. Foi nesse sentido também que criou as
Missões da Minorias Étnicas do Ultramar, no âmbito das quais realizou a
pesquisa entre os Macondes de Moçambique. A morte prematura de Jorge
Dias, em 1973, não lhe permitiu ver esse seu sonho de conseguir abrir um
museu universal cumprido, e foi a sua equipa, encimada por
Ernesto Veiga
de Oliveira, que levou a bom porto aquela que foi, durante décadas, uma
instituição de referência na antropologia e museologia portuguesa. |