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Aos 18 anos, casou com um moleiro, de quem teve sete filhos, tendo
abandonado a arte, durante cerca de 50 anos, para tomar conta da
família.
Só após a morte do marido, e já com 68 anos de idade, retomou o trabalho
com o barro e começou a criar as figuras que a tornaram famosa.
A arte e o nome de Rosa Ramalho saiu do anonimato devido ao pintor
António Quadros, através da crítica artística e a sua divulgação nos
meios culturais do país e do estrangeiro,
depois de a ter visto, um dia, a fazer um boneco em barro com uma
agilidade desconcertante, na feira das Fontainhas, no Porto.
As suas peças simultaneamente dramáticas e fantasistas, denotadoras de
uma imaginação prodigiosa, distinguiam-na de outros barristas e oleiros
e proporcionaram-lhe uma fama que ultrapassou fronteiras.
Analfabeta mas de uma imaginação prodigiosa, Rosa Ramalho criou e
recriou o mundo à sua maneira com pedaços de barro. A sua obra vagueia
entre o dramatismo e o fantástico, características que a distinguiram
dos demais ceramistas e a tornaram numa figura emblemática da olaria
tradicional portuguesa.
Sempre revelou uma enorme criatividade e um forte poder de visualização.
Tornou-se famosa pelos seus "figurões" e crucifixos.
Em 1968, Rosa Ramalho recebeu a medalha "As Artes ao Serviço da Nação",
tendo, ainda nesse ano, sido apresentada na Feira de Artesanato de
Cascais, pelo que os seus trabalhos passaram a ser procurados por
milhares de portugueses e estrangeiros.
Foi ela a primeira barrista a ser conhecida individualmente pelo próprio
nome e teve o reconhecimento, entre outros, da Presidência da República,
que em 9 de Abril de 1981, a título póstumo, lhe atribuiu o grau de Dama
da Ordem de Sant'Iago da Espada.
Rosa Ramalho faleceu no dia 24 de Setembro de 1977, e foi a sepultar no
pequeno cemitério de S. Martinho. A população de Barcelos dirigiu, logo
na altura, uma proposta ao governo no sentido de transformar o barracão
e o telheiro num museu de cerâmica com o nome da barrista.
Actualmente dá nome a uma rua da cidade de Barcelos e a uma escola EB
2,3 da freguesia de Barcelinhos. A sua antiga oficina, em São Martinho
de Galegos, poderá vir a tornar-se num museu de olaria com o seu nome.
O seu trabalho está a ser continuado pela neta, Júlia Ramalho, que a
acompanhava no trabalho do telheiro.
Fonte: Texto adaptado de vários textos
recolhidos na internet |